quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Lua

A Lua cai sobre a Terra
Dorida, gemendo dor
E ouro sobre a serra
Torna paz o seu furor.

A suave luz se espalha
Pingando de dedos etéreos,
Inunda a vida que se retalha
Em raiva, dor, impropérios...

E ela, força aglutinadora,
Doce, pura, se compraz
Em reduzir a dominadora
À simples antonímia – Paz!

E clamo pela amizade extinta!
Lua amiga, a Ti eu peço,
Estendo minha mão faminta
De calor e céu que mereço.

Obrigada por teu calor,
Obrigada pelas marés no Mundo
Que caminha, Tu ao seu redor
E eu lá bem no fundo!

Iça-me, quero voar
Ver o Mundo lá de fora
E sonhar, sonhar,
Sonhar, até aurora...


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sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Vive

Reclina a tua fronte em meu peito,
Descansa a tua dor em minha paz;
Conta-me da mágoa que em teu leito
Escondes calado, sem palavras vãs.

Deixa-me secar essas duas lágrimas
Que teimam em bailar num mar de algas,
Percursoras de vidas ázimas
Que urge fermentar, mas que tu salgas.

O carinho e a ternura semeiam-se,
Adubam-se, livram-se de ervas daninhas,
Guiam-se para a luz e anseiam-se
Doçuras que tu apenas adivinhas.

Corre e apanha a vida que não vives,
Salta e percorre uma outra etapa,
Solta a alma e verás que sobrevives
E nem um fio de luz do Mundo se te escapa.

Estende a tua mão, eu te amparo
Abre o teu coração, eu te entendo
Mas não te abatas que é ignaro
Quem deixa a luta vencedor sendo.

Nasceste para lutar e depois vencer
Assim te quero, assim te sinto
Olha-me nos olhos, vais ver
Outras algas que te prendem. Não minto!

Vem! Corre a meus braços e chora
Grita, sufoca, blasfema ou ri.
Pouco importa se, por ora,
Não quero ver mais do que já vi!

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sábado, 17 de novembro de 2007

Encantos

Olho-te nos olhos com paixão,
Sorvo o mel em teus beijos.
Entrega-me teu coração,
Satisfaz meus desejos!

Toma-me nos braços com ternura,
Afaga meu corpo ao de leve.
Meu olhar, em adoração pura,
Seu brilho aos teus o deve.

Prendamos nossas brancas almas
Num laço de amor verde
Feito de frescas palmas
Em cuja cor até o mar se perde!

No céu, brilham douradas
Pela pureza do sol poente.
Ah! Almas encantadas!
Ah! Encantos de duende!

Feiticeiras desgarradas,
Apartai-vos no feitiço
Que vos torna desgraçadas
Sem sequer dar por isso!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Alma

Dás-me a tua mão.
Não me basta, quero mais.
Meu indomado coração
Quer amigos leais.

Dás-me a tua boca.
Adoro-a, não o nego,
Mas isso é coisa pouca
Quando a ti me entrego.

Dás-me o teu corpo.
Recebo-o com prazer,
Uso-o, com ele me dopo,
Mas não é o que quero ter.

Dás-me o teu desejo.
Adoro-o, por ele anseio,
É sem qualquer pejo
Que nos teus olhos o leio.

Sou deus ou demónio.
Tudo o que me dás não basta.
Meu ser, em pandemónio,
O teu aos poucos gasta.

Não quero teu corpo só.
Quero toda a tua alma,
Com a minha em cego nó,
Afundando-se num mar de calma.

Dá-me a tua alma inteira!
Só isso bastará ao sonho
De alma, sem eira nem beira,
Que nas tuas mãos agora ponho!



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sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Loucura de poeta

“- No limiar do sonho,
transportas as portas do sono,
busco o que não ponho,
colho trigal sem dono.


Semeei grão em terra minha,
não colhi porque não quis,
cobiço cachos de outra vinha,
delícia que não se diz!


Doces frutos, doirados
por alegre sonho anil,
um a um vindimados
em sonho, ilusão...” Senil!


Louco poeta, olha o céu, o mar,
as árvores e os pássaros alegres,
o sol, as estrelas e o luar,
à paixão não te entregues!


Amor, felicidade e paixão.
qual azeite e água na candeia,
não se misturam nunca, não,
e fácil o fogo se lhes ateia.


Paixão arde em lume vivo,
Amor em puro lume brando
Felicidade, parece castigo,
nunca vai onde a mando!


Louco poeta, esquece as almas!
Ninguém as tem iguais à tua.
À loucura batem palmas,
mas não a querem como sua!


Vive o Mundo desta era,
esquece o de antanho!
Qual leoa, dura e fera,
trepa ao alto do lenho!


Olha de lá a Terra, os Homens,
A Vida e o Sol poente...
E diz que só um sonho tens:
Encarar a Vida de frente!




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domingo, 4 de novembro de 2007

Amor

Se o Amor foge voando,
Eu te peço, pássaro azul,
Leva-me no teu bando
Ao Pacífico Sul!

Se o Amor é negro como breu,
Eu te peço, Sol doirado,
Retira-me este véu,
Quero ser o El Dorado!

Se o Amor é fria Morte
Eu te peço, vida minha,
Torna agora forte
Esta frágil que caminha!

Dá-me o Amor por companhia,
O Carinho por parceiro,
A Felicidade na simpatia
De um doce companheiro!

Dá-me Paz em terra agreste,
Sonhos de que estou faminta,
Paixão que já me deste
Pintada de outra tinta!



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