sábado, 13 de janeiro de 2007

Tentação


Apareces-me no sonho,
Me tentas,
Me queres,
Provocas-me!
E, então,
Lembro-me de ti sorrindo-me no silêncio.
Sei de cor as palavras que me disseste,
Ao som de um luar de Janeiro em Setembro,
Na sombra de uma noite em dia de sol
Que nos aconchegou debaixo do mesmo instante.
E mais uma vez sinto na pele
Ruídos que o desejo riscou …
Quando me traçou as vontades,
Desenhou em ti
Murmúrios que ainda ecoam na montanha da minha alma.
Em meus olhos faço parágrafos à vida!
Quero esquecer o que não vi,
Mas apenas te tento encontrar em mim.
Os lábios sentem o ardor dos beijos que me deste,
Quando, abraçado ao calor da cumplicidade,
Te copiaste para dentro de mim
E de mim passaste a fazer parte.
Pedes-me a permanência na carícia das minhas mãos,
Revestes-me a pele de um perfume de fantasias.
As emoções dobram-se em mil milhões
Partilho-as.
Mas só eu relembrarei o poema de Amor que em ti escrevi…
A sabedoria dos teus dedos,
Apenas escreveu nas páginas brancas da minha alma
Pedaços de ti,
Na forma da minha paixão.
Memorizei o silêncio do adeus
Que eu fiz soar quando nos despedimos,
À porta da esperança
De nos sabermos
Em mais um dia!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Jogo duplo




Vamos, dupla de mim!
Vem fazer comigo
Um jogo cúmplice…
Escondida entre o corpo e a alma,
Desnudo a alma,
Oculto o corpo que ilusoriamente se desnuda…
Entre luzes e contraluzes de crepúsculos tardios te sorrio…
Da minha pele soltam-se tons e sabores de volúpia,
Desprendem-se aromas de desejo.
Aflora no meu ventre o mesmo arrepio de prazer,
O mesmo que a minha pele sente
Nos momentos em que insinuo o meu querer diante de ti.
Devoras-me no pensamento,
As tuas mãos tremem inquietas,
Num impulso me queres tocar e partilhar,
As loucuras ardentes estremecem-te…
E aquecem-te o íntimo.
Sentes cobiça nos teus lábios
E na tua língua…
Anseias tocar e invadir a minha boca molhada,
Quente e sedenta de um beijo teu.
As minhas mãos percorrem-me deliciosamente,
Provoco-me…
Suspirando, acaricio os seios…
O prazer só meu, consegues ler-mo no pensamento.
Embriagada de mim mesma,
Deixo-me ir livremente…
Escuto o que a pele me diz…
Fecho-me à razão…
Deixo-me no instinto…
O gozo me guia nesta jogada sem dados lançados,
Sem regras escritas,
Sem vencedor nem vencido.
Lentamente me dispo
Para ti …
Entre o mistério de penumbras e sombras,
Brilhos e centelhas de lascívia,
Embalada pela música do silêncio,
Canto em uníssono de âmagos.
Desato os segredos da minha intimidade,
Surjo num sonho teu...
Junto a ti...

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Paz




Do encanto dos momentos de carinho que vivemos
Em tardes calmas
O sentimento que flui é intenso.
As tuas carícias suaves, lentas e demoradas
Mergulham-me num banho de meiguice roubado a um lago inventado.
Passeias-te na minha pele,
Delicio-me no prazer que emerge de cada milímetro de mim,
Por onde as tuas mãos vagueiam perdidas dos sentimentos…
Nas minhas entranhas sinto aflorar uma loucura
E nenhuma serenidade de beijos doces a trava.
Imersa na ternura que nasce de ti,
Recebo- te…
Não há tranquilidade de espírito,
Apenas a harmonia do sentir perpetua as sensações que prolongo…
E este momento é só meu.
A minha alma toca-te para lá da pele,
Entranha-se na tua,
Aninha-se entre o espaço mínimo que os nossos corpos deixam entre si.
A música que soa desliza do meu coração,
Soa baixinho nos suspiros que os meus lábios soltam,
Sedentos te beijam,
Roçam a placidez e a quietude de quem não está!
Este momento é eterno como o infinito do céu,
A sintonia que existe em nós não se sente nem se vê,
Porque não existe,
Emana,
Como um perfume,
Desprende-se das emoções que não consigo conter.
Envolvida no silêncio do aconchego e do conforto deste abraço,
Assim fico perdida em ti, por tempo incerto,
E apenas sei que a missão que ambos trazíamos tatuada na alma foi ali cumprida.
Na beleza de um paraíso perdido em lugar nenhum,
Entre esperas, ilusões e sonhos…
Reina finalmente a Paz!

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Vazio


Embrulhada na não-luz,
sonho-te
na clareza que a noite amanhece;
Respiro-te
no perfume que as tuas mãos deixaram no meu corpo;
Sinto-te
na minha boca…
Permanecem em mim
a tua saliva,
o sabor dos beijos que as nossas línguas trocaram…
Os meus lábios doridos
sentem a dor dos teus,
toda a minha pele ainda te frui,
o meu corpo ainda é outro que foi…
Plena da tua presença,
as minhas mãos sentem no vazio
todos os detalhes do teu corpo…
E neste silêncio da alma,
voo através de loucuras inconfessas,
atravesso o universo,
e chego a ti,
beijo-te a face,
afago-te os cabelos…
e sussurro-te ao ouvido…
e peço mais...
Desgraçadamente…

domingo, 7 de janeiro de 2007

Partida



Vou partir para o mundo dos sonhos.
Mas não vou só!
Levo as tuas mãos entrelaçadas na minha saudade;
Nos meus seios levo a fúria do teu toque,
Na minha boca, pedaços de ti,
Recolhidos nas tuas ousadias de posse;
Na minha pele carrego os teus dedos,
Colados a cada recanto de mim;
No meu pensamento,
A tua voz traça melodias que se esfumam…
E o abraço eterno que trocamos sorri para mim;
O tempo parou…
Parto…
Mas parto contigo…

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Distância


Passeio-me no teu silêncio,
Mas perdi as palavras...
Na saudade de ti,
Deixo esvoaçar as tintas que me pintam o pensamento!
Neste tempo que se não esgota,
Nem se consome,
Deslizo sobre os momentos da lembrança...
Na minha pele nua,
A névoa do sonho tolda a vida
E a paz!
Na fronteira entre os teus lábios e os meus
Desliza a paixão,
O teu cheiro que não sei...
Nos minutos paralisados das nossas carícias
Transponho o vazio do som
E ouço a melodia doce e agra
Do teu corpo à minha espera...
E os ponteiros do tempo,
Jogando contra nós,
Andam num inverso desesperado
Afastando –me o teu abraço!
Concebo os teus beijos e a tua ânsia
Num tempo invertido...
Distância...

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

LUA

No desespero das noites sem lua, grito o teu nome num uivo de loba privada da sua lua cheia. Grito baixinho, não vá tu ouvires…Mas grito, muito, dolorosamente… Escondido nas nuvens negras que se adensam, privas-me da tua luz… e as nuvens cada vez mais carregadas escondem-te definitivamente. E da entrada do meu covil espreito a medo o mundo ao meu redor…Ninguém! Estou só nesta floresta densamente povoada de espectros que me não vêem!
Pairas com o teu sorriso tímido, como um holograma, sobre a minha cabeça. Mas quando os meus dedos te alcançam, trespassam-te porque não estás ali.
E eu continuo só… agora mais só!

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

Perdi a alma


Fecho os olhos à realidade,
Escondo-me no medo
E moldo-me à derrota
Que me invade a sensação de ti!

Saboreio-te o ódio
E faço uma sesta à sombra do pânico...

Incontida,
A luz do sonho
Arrepia-me num pesadelo
Desmedido...

Empurro-te para fora de mim,
Mas perdi a alma
Ao despenhar-me na agonia
Que o êxtase roubou à vida!

Abraço a gélida brancura dos lençóis
E acordo alagada em suores frios!

domingo, 31 de dezembro de 2006

Morte


Nas minhas fantasias de ontem,
Espreito de um céu que não conheço
E abraço as estrelas que não vejo!

A insónia embala-me num estremecimento ...
A dor espicaça-me a mente
E não sei para onde fugir!

A maciez da minha voz esgueirou-se,
Ficou a rispidez do medo,
A ânsia da fuga que não descortino!

Guardo o cheiro de carícias que não quero,
A dor de suplícios ousados e desusados,
Numa angústia encravada no coração!

Fecho os olhos e peço a morte,
Mas a tua prece é maior que a minha
E eu continuo moldada na vida que não quero!

sábado, 30 de dezembro de 2006

Outro desejo


Sob o vento da solidão,
Desabotoo os dias,
Dispo as vestes da vontade,
Fico nua na minha alma!
Arrasto o espírito pela saturação das ruas sem paz,
Desencontro-me de ti nos atalhos invisíveis!
E fujo!
Fujo!

Respiro numa cadência inventada,
Num pensamento asfixiado,
Num vazio em que espero um milagre.

Retiro-me lentamente da lembrança,
Suturo as veias donde ela irrompeu
E arrefeço!

Fica-me este corpo mais pequeno,
Outra dimensão,
Outro desejo,
Outra saudade...
Alastrando...

Ajusto-me à eternidade,
Abraço-te no fim das horas,
Conto-te os segundos em que não existo!
Não existimos

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

A porta do tempo


Fecho a mão dentro do sonho,
Abro-a dentro do destino,
Ofereço-a ao enigma da tua vida!
Mas no cume dos teus olhos
Desapareço à sombra da sua luz!
Abro a porta do teu tempo,
Oleio as fechaduras enferrujadas
E entro de semblante pintado de dúvida...
Penduro-te nos cabelos estrelas de luz,
Cubro-te o peito de prefácios de prazer
E assombro-te a alma com as cortinas do meu corpo!
Com o vento macio dos meus lábios
Refresco-te a carne do sonho
E faço voar as tuas asas presas à razão...
No estilhaço do momento,
Perdemo-nos além - corpo,
Além - alma
Além - tudo!

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006


Como um lago de águas sujas e paradas, sou eu sem ti!

Futuro


Sob a alucinação do brilho intemporal dos teus olhos
Perco-me num caminho bordejado por estrelas
Atapetado por carícias
Acordadas,
Lentas na madrugada!
Sopro nos teus lábios o silêncio,
Encanto-te com palavras de fogo
E abraço-me aos teus lençóis que não conheço!
Na nossa paixão,
Beijo-te sem saberes,
Guardo lembranças inexistentes
De instantes de loucura!
Estremeces nos meus sussurros
Na loucura doce dos meus seios!
A minha saliva queima a tua língua
E apagas o ardor nas minhas coxas,
No meu corpo aberto,
Franqueado,
Flor para ti!
Habitas cada entranha minha
És meu no infinito do tempo
Dentro de mim...
Para lá da saudade,
Decifro o teu desejo,
A tua alma girando em torno da minha paixão...
E espero que o tempo resolva o futuro

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Amante


A lua desce suave
Terna como um amante…
Ofereço-lhe o corpo
Para que desça sobre mim!
A sua luz espalha-se dando cor à minha pele,
Rolo,
Enrolo,
Rebolo sobre ela
Mas só te quero a ti!
Vem tomar os seus dedos de luar
Desce tu sobre o meu corpo!
Onde estás?
Perdi-te para quem?
Para quê?
Eu continuo aqui,
Sem ti,
Abandonada aos dedos da lua
Ela me possui em teu lugar!

Parados no tempo


As luzes invadem o nosso quarto,
Espreitam da rua,
Curiosas...
Fecho as cortinas,
E na penumbra que nos envolve,
Procuras-me,
Testemunha do teu momento de paixão!
Sobre a cama imensa,
Encontras-me...
A música que nos invade
Vinda da rua ou de nós mesmos
Domina a atmosfera pesada de desejo...
Os nossos corpos não querem dormir,
Apenas amar,
Amar como se nunca nos tivéssemos amado!
Tombada sobre os lençóis de seda,
Escorrego para o teu corpo,
Toco-te,
Quero-te,
Beijo-te...
E, na imensidão do céu que nos espia,
Deslizas sobre mim!
O ritmo alucinado de dois corpos que se unem
Guia – nos o prazer!
Para além dos continentes e oceanos,
Sou tua,
És meu!
Devoras-me em beijos de línguas húmidas...
Deixas em mim a seiva que o meu corpo colhe...
Possuo-te em cada espasmo!
Dou-me em cada contracção!
A luz baixa sobre os nossos corpos suados,
Parados para o tempo!

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

Êxtase


Envolvo-me nos lençóis da noite,
Transpiro no suor do teu peito...
O teu beijo invade-me a alma
Nua
E serpenteio por entre as tuas coxas
Derretidas de prazer!
Ato um laço intemporal
Entre o teu corpo e o meu,
Prendo-te no desejo do que não achas,
E soltas-te num grito molhado,
Êxtase que me inunda!
Provo-te,
Sugo-te,
Devoro-te o gozo,
Condimentado
Por meus suspiros de prazer!
Arde em ti a minha magia,
Os teus dedos em ousadias desmedidas
Sulcam a minha pele...
Embrulho as minhas ancas e o meu ventre
No silêncio do teu olhar!
Acompanhadas por um convite
Aberto ao sonho,
As envio à saudade insaciada!

Em outra dimensão


Na areia da praia,
Sinto a chuva penetrar-me a alma,
Lavar-me a saudade e o corpo...
Deixo cair as minhas roupas
E assim desnuda
Deixo o frio gelar-me o corpo...
Dormente, sinto as pequenas gotas!
Calam-me o desânimo,
E levam-me pela mão eternidade fora
Numa dimensão que desconheço,
Num tempo só nosso!
Esperas-me,
Recolhes-me na queda,
Para lá da linha invisível da dor,
Abraças-me,
Inanimada e sublime na paixão
Que carrego no meu peito!
E em cada segundo que o tempo faz girar
Recebo mil milhões de beijos
Que a minha ausência fez nascer em ti!
Inalo o ar que os teus pulmões me sopram
E hidrato-me na tua boca...
Trago-te para dentro de mim
Em cada inspiração,
Emoção e sentimento,
Corpo e alma
Em palavras finalmente sussurradas no meu ouvido!

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Um fio de sonho


Ato um fio de sonho
A uma centelha dos teus olhos,
Prendo outro no tempo,
E mais outro no espaço!
Sento-me no teu sorriso
E os teus dentes alvos
Acariciam-me a saudade!
Olho o céu
E leio nas estrelas o teu caminho...
Perco-me nas ondas das tuas palavras
E esqueço o calor dos teus braços!
Entrego-me à carícia da tua lembrança
E roço os lábios na tua indiferença!
Entrelaço os dedos nas forças que não sinto,
E carrego os teus átomos para a minha cama!
Contorço-me nela e recolho um beijo do acaso!
Neste mistério escorrendo pela cascata da alma,
Partem-se os fios,
Precipito-me no abismo!

Mar


A magia das tuas águas vicia-me,
Alucino-me na tua boca azul,
Aqueço-me na sua saliva salgada...
No roçar das tuas ondas,
Perco-me na emoção das horas,
Dos minutos de prazer,
Colhidos no teu estar!
As palavras que solto,
Na loucura do êxtase,
Abandono-as ao vento...
Ele leva a minha alma na sacola,
Perdida em palavras de beijos,
Suspiros de vírgulas,
Desejos de parágrafos!
E na poção mágica
De um ente mágico,
Evaporo-me num transe de veneno e mel!