quinta-feira, 18 de outubro de 2007

A ferro e fogo




A ferro e fogo teu nome gravei
na minha alma virgem de amor.
Apagá-lo, vida minha, não sei.

A ferro e fogo gravei no meu coração
a marca do teu calor.
Apagá-lo não sei, vida minha, não.

A ferro e fogo gravei em minha boca
o sabor de teu último beijo.
Apagá-lo não sei e fico louca.

A ferro e fogo gravei em meu ser
o cheiro de teu desejo.
Apagá-lo não sei, porque o quero ver.

Tua alma e teu sabor,
teu cheiro e teu sorriso
são tudo, meu amor,
o que na vida preciso.

Só a Morte te roubará de mim,
velha negra de foice em riste,
ou me roubará a mim, enfim,
se de mim fugiste!


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sábado, 13 de outubro de 2007

Amor




Amor é chuva num dia de Verão.
Quero-o Sol num dia de Inverno!
Amor é desespero na flor da Vida.
Quero-o Vida quando vem o desespero!
Amor é a guerra no meu Mundo.
Quero-o Paz para a minha guerra.

Mas, se o amor não é o que quero,
Decerto é um Amor que não quer Amar!

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quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Leva-me contigo

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Teus olhos
Mar bravo
Revolto
Algas e limo
Rolam
Enrolam
E eu
(Ai pobre de mim!)
Me afogo neles.
Se as suas ondas
Em manso reboliço
Me jogam em terra
Recuo
Quero rolar
Rolar até ao fim do Mundo
Na tua espuma.
Leva-me!
Não quero Terra
Nem paz
Nem ar.
Quero guerra.
Leva-me à bolina
Em dia calmo
(Se o houver!)
Leva-me ao Inferno
No vendaval.
Eu vou.
Eu quero ir
Contigo navegar
Contigo naufragar.
Leva-me!
Oh! Leva-me!

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domingo, 7 de outubro de 2007

Amor

A poesia esqueci num leito de cardos
Reaprendi-a nos teus olhos, na tua boca,
Nada a nada, tudo a tudo, tão pouca...
Tanta para mim... sem o Dom dos bardos!


Pouco importa! Deixa o coração falar,
Dizer que te quer, que te ama,
Dizer, num sussurro, que o Amor me chama,
Me faz ser mulher, me faz... Desejar!


Leva-me nos teus braços ao Céu,
Ao Inferno, ao fim da Eternidade,
Que só na Eternidade não cabe
Um Amor tão grande como o meu!


Leva-me nos teus braços ao fim do Fim,
Ao Absoluto, uno, indivisível
Onde me perca no...inverosímil?
Deixá-lo! Quero ser em ti o melhor de mim!


Leva-me nos teus braços onde fores capaz,
À Felicidade, ao desespero da Paixão
Que dilacera, fibra a fibra, o coração,
Para de novo o fundir e lhe dar a Paz!


Não quero mais nada, mas é tanto o que quero
Que, sem coragem, não sei se quero querendo
Ou se não quero, temendo
Desesperar do que tanto espero!


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terça-feira, 2 de outubro de 2007

Livro do Não - Mãe


Larga-me nos dedos da Lua!
Vamos visitar o sonho!
Lá brincas comigo, mãe, brincas?
Trepemos àquela árvore!
Quero agarrar o Sol,
colorir os teus cabelos.
Oh!! Mãe, o mar é tão grande!
Pega-me ao colo,
tenho medo das ondas!
Há flores, há estrelas no mar?
Apanharei a mais vermelha,
A mais brilhante,
A mais linda...
Com ela enfeitarei o teu ventre
e todos os jardins da terra e do mar
serão teus.
Segue-me, mãe, acompanha-me
no sussurro do vento.
Quero voar contigo!
Vê o que eu vejo!
Sente o que eu sinto.
Brinca comigo!


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terça-feira, 25 de setembro de 2007

Um tu que não conheço - Último texto do Livro da Desilusão

Foste o meu tudo,
Foste o meu nada…
Quem eras?
Perdi o tempo
Em contratempos
E nada descobri!
Ficaste a minha incógnita,
Ignota doçura que perdi…
Num tempo que desconheço,
Talvez em outra encarnação,
Eu te descobrirei!
Sabendo-te, serás meu
Ou não!
O meu Karma prolongar-se-á no tempo?
Nas gerações vindouras tu serás tu e eu serei eu?
Ou seremos nada?
Quem sabe?
Num sonho dourado,
Acredito que sim!

Esperarei em outros mundos e outras vidas
Por um tu que eu não conheço!


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quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Âncora

Onde foste?
Quem és?
Não sei ...
E pensei que sabia!
Engano!
Não te conheci, apenas te tive!
Ilusão!
Não tive senão o teu corpo,
Lindo,
Fogoso,
Só instinto…
Rebelde, insensível, inconstante…
Fizeste do meu mundo a tua âncora de um dia…
Zarpaste e não sei do navio que te levou!
Na praia deserta da minha desilusão
Continuo olhando o horizonte e o mar imenso,
Vazio…
Não te sei senão nesta miragem!
Quando chega a realidade,
Nada és!

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Demónio

Meu demónio interior
Onde vais?
De onde vens?
Não te queria demónio,
Mas que importa?
Talvez te agrade mais o calor deste Inferno...
Não é outra a vida que me dás!
Da tua ausência,
À tua fuga,
À tua não presença!
Porque fugiste?
Eu serei o teu Inferno se assim queres,
O teu céu, se o desejares…
Serei tudo
E serei nada…
Pela tua vontade,
Pelo teu ego,
Enorme,
De quem não sabe o Mundo,
Quero-te mesmo assim…
Vem…
Eu espero…

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Loucura

Tenho a alma moída
Da loucura que paira em mim,
Esqueci a fronteira entre o querer e o desejar
Sob o efeito da tua força...

Usada e assustada,
Fico de rosto cansado,
Triste,
Num grito agoniado
E de mãos vazias de paz.
O travo amargo da solidão
Constrói uma calha para a loucura,
Escorremos por ela até às memórias de ontem
E esquecemos a esperança do amanhã!
Desorientada,
A caminho dos teus olhos,
Sinto tanta coisa,
Na imensidão do meu desespero,
Que não vejo quão frios e insensíveis se tornaram...

A minha loucura tem vontade de me abraçar,
Tem vontade de me aconchegar no silêncio da raiva...
Sinto tanta coisa... tanta...

Ai lucidez enlouquecida,
Que tens para me dar?

sábado, 25 de agosto de 2007

Consolo

Na sinceridade de um olhar,
Busco um tesouro escondido nas palavras perfumadas de alguém…

Lua, acende-me o céu!
Sol, mostra-me a Vida!

Feche-se o ciclo!
Das gotas de vida
Destiladas na tua alma!
Forma palavras de consolo
Que me envolvam a alma!
Afasta-me para longe o veneno da revolta
Azedando o meu coração!
Dá-me ecos de paz
Em cada sopro da tua magia…
Acompanha-me,
Ampara-me,
Marca o meu futuro
Com o sinete do teu feitiço!

Vem ser meu consolo,
Meu colo,
Nesta saudade
Chegada sem aviso prévio!

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Chave

Vejo novelos de desdém nos teus olhos,
Muralhas intransponíveis
Erguendo-se todas as manhãs
Contra a luz colorida dos meus!
Nesta corrida desenfreada
Fico cega,
Espero uma magia,
Uma chave para as tuas portas cerradas!

No fosso que te separa de mim,
Outrora riacho em que acendia a lua,
Afundam-se sonhos,
Calam-se sinfonias de amor…
E na densidade das suas águas enlameadas
Asfixiam-se as ilusões
E flutua o uso que fizeste de mim!

Que chave abrirá os teus cadeados?

Que chave me abrirá o regresso a ti?

Que chave me soltará do cadafalso a que subi?

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Luta

Num estado de quase inconsciência,
Luto entre a lembrança e o esquecimento…
De olhos fechados,
Sinto o toque dos teus,
Queima-me o brilho da luz
Desprendendo-se em sussurros,
Em gritos surdos de paixão…
Num dia!

Deixo-me escorregar na loucura da tua ausência
E da minha boca resvalam calor, prazer…
E dor!

Quero partir do fundo dos teus olhos,
Quero saber de sentimentos nobres,
Quero acreditar num mundo melhor…
E em cada minuto de luta
Ambiciono colher paz em outras mãos,
Viajar no silêncio de outro olhar!
A minha luta acorrenta-me,
Tento soltar-me das fantasias,
Encontro a porta da lógica fechada
E regresso!
Revolto-me!
Iludo-me!
E continuo!...

domingo, 12 de agosto de 2007

Alma ferida


Vagueio
No mundo dos vivos,
Nado morta para ti...
E o teu sorriso,
Quieto e suspenso,
Perder-se-á no nevoeiro de um dia de Verão!

Vesti-me de nuvens para te colher,
Em abraços de luz doirada
E tu despiste-me !
A minha alma esconde-se,
Camuflada,
Escura,
Ferida de morte...

Os meus braços fizeram-se cinza,
Soprada ao vento pelo teu olhar frio
E não fiquei com que te abraçar na eternidade!

A minha alma ferida,
Descalça
E desprovida de magia,
Afasta-se,
Afasta-se,
Na escuridão dos tempos!

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Despedida




Escuto o ritmo das ondas,
O clímax da rebentação,
E olho o meu corpo dormente fugindo de mim...

Na distância,
Perco de vista a ponte que nos uniu e o teu sorriso mansinho...
Nos dias ausentes,
Despedi-me do calor do teu corpo suado,
Dos recantos da tua pele sedenta de mim,
Das sensações rubras
De um amor fechado no meu silêncio!

No meu corpo,
Abraça-se a despedida,
O vazio de ti!

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Falso




Abro os braços em direcção ao vento,
Ofereço a minha emoção
À tua madrugada.
E ,nas horas tardias dos teus olhos,
Desalinho o tempo.

Contemplo-te nas horas vazias
De uma falsidade pintada de azul,
Livremente escorrendo-te dos lábios,
Esvaindo-se por entre os teus dedos!

Vejo-me no espelho dos meus olhos baços,
Falso,
Impudicamente desdenhoso,
Num amor que não sintonizaste,
Na inconsciência da tua crueldade!
Mergulho na dor,
Tonta e insaciada,
Deslizando nas ondas do meu limite...

Falso!

sábado, 28 de julho de 2007

Pnetração




Roçaste-me a face
Num entardecer
Que eu julguei manhã;
Colaste os teus olhos nos meus
E delírios famintos se ouviram
Numa viagem eterna
De prazer e dor!
O teu olhar se afundou no meu
E lhe roubou pedaços de alma...
Abriu-lhe um rombo,
Penetrou-a...
Desabitada de paixão,
Deixou-se preencher...

Confortou-a com palavras de chuva morna,
Atrofiou-lhe o discernimento!
Desmoronei na leveza do teu olhar,
Arrastei-me
Entranhada na tua ausência...

Não sei arrancar da minha alma de cristal
O golpe e os destroços
Que a penetração do teu desprezo fez em mim!

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Livro da Desilusão - Anjo

Livro da desilusão: Os poemas escritos sob esse aspecto podem ler-se como um conto, uma história começada com a ilusão que uma visão de alguém que parece ser um anjo e se revela, afinal...!








Estendo as mãos para as tuas,
Só encontro o fim...

Tento afagar-te os cabelos,
Apenas sinto o vento Norte
Soprando na direcção que não quis!

Fecho os olhos à procura do Infinito,
Do Amor que te tive,
Do sonho lindo
Cruzando o meu céu
Inundado de luz!

Na minha noite escura
Guiei-me pela tua aura,
E beijei as tuas asas...

Foste anjo num sonho só meu,
Foste a minha fantasia
E embriagaste os meus sentidos...
Em cada luxuriante amanhecer,
Anunciavas nos teus olhos
A minha Primavera.
Pelo teu toque sublime
Escorri delícias,
Enlouqueci a alma
Nos caminhos que a tua doçura traçou em mim!
Sôfrega,
Bebi cada esvoaçar das tuas asas
Na minha pele;
Beijei o teu silêncio
E as tuas palavras,
A tua doçura
E a tua rispidez,
No teu angelical sorriso,
Na minha lucidez adormecida...

Ai, anjo chovendo desejo na minha alma,
Porque escureceram as tuas asas?
Porque se toldaram os teus olhos?

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Saudade




Dobram os sinos!
Dos ingredientes raros que te compunham,
Guardei-te a alma
Entre um beijo e uma carícia inventada!
Guardei o teu manso deslizar,
Guardei tanta coisa na Saudade
Que quase me afoguei nela!
Submersa nos desejos,
Tornei-me a tua noite
E vagueei nos teus cheiros húmidos...

No fundo da minha dor,
Encontrei a despedida,
Ofereci um sorriso à nostalgia,
Deslizei pelas labaredas da dor,
E nas estrelas de outro céu,
Te sussurrei de longe
Gotas de paz!
Soltei a minha alma,
Emergi da paixão,
Voltei a respirar
E afoguei a saudade.
No lume da ternura calma,
Ergui uma pira,
Coloquei lá a dor e a saudade,
Peguei-lhe fogo...

Espalho as suas cinzas pelo oceano
Quando os sinos se calam!



Este é o último poema subordinado ao tema da saudade. O sujeito poético partirá para a viagem final - na próxima publicação iniciará a sua viagem para a desilusão.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Louca





Na minha casa abandonada
Há vidraças partidas
E estilhaços que se me fixaram no peito...

Pelas portas escancaradas
Corre o vento
Fustigando-me a alma.
Traz consigo o teu perfume
E a tua imagem!

Componho uma personagem de louca
Sentada na soleira da porta
E prometo vestir,
Todos os dias,
O meu rosto de cores diferentes,
A minha alma de tristeza ou alegria,
O meu coração de amores ou desamores!
À laia de palhaço
Chorarei rindo,
Rirei chorando
Na saudade da tua cor!

segunda-feira, 9 de julho de 2007

O meu presente


Recebo um presente do Universo,
O meu passado,
E no presente encontro apenas o eco do que fomos!
Recordo as tuas mãos nas minhas,
A tua boca descobrindo a minha,
A tua voz traçando conquistas
Dentro da minha escuridão.
Enlaço-te na tarde mágica da sedução
E ouço o sorriso límpido do Sol
Traçando um caminho que percorreste dentro de mim!
Assola-nos o desejo
E no teu radioso sorriso
Entras no meu sonho...

Cruzas o instante de magia
No momento em que os teus lábios
Pousam nos meus!
Os nossos caminhos separam-se,
Saíste do meu presente,
Mas sou feliz sabendo que existes.