Eu te odeio, homem,
Por ti, mulher ofendida
Por ti, mulher de outrem
De ti esquecida
homem, eu te odeio
Pela mulher que usas
Sem carinho nem receio
Quando dela abusas.
Eu te odeio, macho,
Pelo amor que não dás,
Pela paixão que te não acho,
Pelas tuas palavras vãs.
Macho, eu te odeio
Pela fúria com que tocas
Da mulher, seu seio,
Em certas horas loucas.
Eu te odeio, Ser letal,
Com toda a convicção
Do que meu corpo, gelo e sal,
Sente ao toque de tua mão.
Eu te odeio, Ser horrendo,
Com furiosa paixão.
Amor e ódio vão sendo
Hastes de um só diapasão!
Eu te amo, Homem,
Por cada mulher acarinhada,
Diferente das que sofrem
Porque bem amada!
Homem, eu te amo
Por cada Mulher que fecundas
Sem raiva nem engano,
Duas almas juntas!
Eu te amo, Ser viril
Com minha alma de Mulher,
Flor do mês de Abril,
Pétala de malmequer.
Eu te amo, Ser de mel,
Lírio puro de veludo,
Quando toco tua pele
E meus lábios pedem tudo!
Eu te amo, Homem,
Ser íntegro, verdadeiro,
Amante, amigo também,
Homem... por inteiro!
http://www.escritartes.com/forum/index.php?referredby=3
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
A um ideal
Quero agarrar tua mão,
Um a um beijar teus dedos,
Dizer sim quando a lei é não,
Espantar os medos!
Quero acariciar teus cabelos,
Morder teus lábios cheios,
Esfregar, furiosa, em teus pêlos
Meus seios!
Quero possuir-te inteiro,
Eu, pela metade possuída,
Num Tempo Absoluto, Primeiro,
De Vida!
Quero ser tua e que tu sejas meu
Eu, Tu, Nós, um Todo,
Tudo o que a Natureza me deu
Em fogo!
Um a um beijar teus dedos,
Dizer sim quando a lei é não,
Espantar os medos!
Quero acariciar teus cabelos,
Morder teus lábios cheios,
Esfregar, furiosa, em teus pêlos
Meus seios!
Quero possuir-te inteiro,
Eu, pela metade possuída,
Num Tempo Absoluto, Primeiro,
De Vida!
Quero ser tua e que tu sejas meu
Eu, Tu, Nós, um Todo,
Tudo o que a Natureza me deu
Em fogo!
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Paisagem
A água escorre pura,
Prata saltando a rocha,
Luz de minha noite escura,
Da madrugada minha tocha.
As pedras lisas refulgem
E o cenário se compõe,
As margens tristes se tingem
Do ouro que o sol lhes põe.
O verde fica mais dourado,
As velhas pedras mais vetustas,
O azul da água prateado,
As nossas vidas mais curtas.
E as margens se alongando
A nossos olhos esfaimados...
Os pássaros passam em bando
Lembrando sonhos cansados.
De que nos vale sonhar
Mais, mais e sempre mais
Se, quando o dia acabar
Não saberei onde tu vais?
De que serve, debaixo da ponte,
Espreitar o outro lado
Se, por mais que eu conte,
Não o serei como era dado?
A vida que está de lá
É igual, sem tirar nem pôr,
À deste lado de cá:
Mais amor, menos amor...
De que serve dares-me a mão
Se já não tenho o braço?
De que me serve o coração
Numa vida de cansaço?
A paisagem bem ri, serena,
Querendo dar-me paz,
Mas não traduz mais que a pena
De não ser capaz!
Prata saltando a rocha,
Luz de minha noite escura,
Da madrugada minha tocha.
As pedras lisas refulgem
E o cenário se compõe,
As margens tristes se tingem
Do ouro que o sol lhes põe.
O verde fica mais dourado,
As velhas pedras mais vetustas,
O azul da água prateado,
As nossas vidas mais curtas.
E as margens se alongando
A nossos olhos esfaimados...
Os pássaros passam em bando
Lembrando sonhos cansados.
De que nos vale sonhar
Mais, mais e sempre mais
Se, quando o dia acabar
Não saberei onde tu vais?
De que serve, debaixo da ponte,
Espreitar o outro lado
Se, por mais que eu conte,
Não o serei como era dado?
A vida que está de lá
É igual, sem tirar nem pôr,
À deste lado de cá:
Mais amor, menos amor...
De que serve dares-me a mão
Se já não tenho o braço?
De que me serve o coração
Numa vida de cansaço?
A paisagem bem ri, serena,
Querendo dar-me paz,
Mas não traduz mais que a pena
De não ser capaz!
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Chuva
A chuva cai serena e pura
Lavando a minha alma
De uma carapaça dura
Aparentando calma!
O que vai no meu peito
Não é calma, é dor
De uma paixão que tem por leito
Um glaciar debruado a calor!
E eu peço: calor desfaz o gelo,
Gelo arrefece o fogo!
Mas o frio continuo a tê-lo
Porque o calor foge logo!
E o frio em mim permanece
Porque o gelo não se desfaz;
O calor que o aquece
Não tem força capaz!
Só a chuva ameniza meu ser,
Diminui o frio que queima.
E o gelo, a aquecer,
Ainda assim teima, teima...
Lavando a minha alma
De uma carapaça dura
Aparentando calma!
O que vai no meu peito
Não é calma, é dor
De uma paixão que tem por leito
Um glaciar debruado a calor!
E eu peço: calor desfaz o gelo,
Gelo arrefece o fogo!
Mas o frio continuo a tê-lo
Porque o calor foge logo!
E o frio em mim permanece
Porque o gelo não se desfaz;
O calor que o aquece
Não tem força capaz!
Só a chuva ameniza meu ser,
Diminui o frio que queima.
E o gelo, a aquecer,
Ainda assim teima, teima...
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Estrela cadente
Cai, estrela cadente,
Cai na minha alma,
Torna-a ardente,
Tira-lhe a calma...
Ela esqueceu-se de viver,
Esqueceu-se de sonhar,
Já não tem querer
Que a faça andar!
Apagou-se na escuridão
De uma noite sem lua,
Só, entre a multidão
Que enche a rua.
Dá-lhe um pouco de tua luz,
Dá-lhe um pouco da prata
Que a queda te produz,
Leva a dor que a mata!
Fá-la vibrar!
Fá-la viver!
Fá-la cantar!
Fá-la querer!
Cai na minha alma,
Torna-a ardente,
Tira-lhe a calma...
Ela esqueceu-se de viver,
Esqueceu-se de sonhar,
Já não tem querer
Que a faça andar!
Apagou-se na escuridão
De uma noite sem lua,
Só, entre a multidão
Que enche a rua.
Dá-lhe um pouco de tua luz,
Dá-lhe um pouco da prata
Que a queda te produz,
Leva a dor que a mata!
Fá-la vibrar!
Fá-la viver!
Fá-la cantar!
Fá-la querer!
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Futuro adiado
O céu pesado de nuvens
Cinzentas, escorrendo dor,
Choram e tu não vens
Cansado de meu amor...
Rasgam-se às asas leves
De mil gaivotas de cor
Branca entoando, breves,
Um concerto em dó menor...
Não vens e elas gritam,
Como eu, por quem não vem
E meus braços se agitam
Numa força que já não têm!
Solto-me no ar pesado
De chumbo, como meu peito,
Num Futuro adiado
Para sempre em seu leito!
Cinzentas, escorrendo dor,
Choram e tu não vens
Cansado de meu amor...
Rasgam-se às asas leves
De mil gaivotas de cor
Branca entoando, breves,
Um concerto em dó menor...
Não vens e elas gritam,
Como eu, por quem não vem
E meus braços se agitam
Numa força que já não têm!
Solto-me no ar pesado
De chumbo, como meu peito,
Num Futuro adiado
Para sempre em seu leito!
domingo, 20 de janeiro de 2008
As ondas do mar

As ondas do mar me embalam
Em berço azul e salgado,
Os salpicos brancos me falam
Que meu amor é chegado.
As ondas do mar mo mostram
No alto de um rochedo,
Os meus olhos o encontram
E o olham tão a medo!...
As ondas do mar me sussurram
Que ele me quer tanto, tanto
Que seus olhos me procuram
Tomados de doce encanto.
As ondas do mar me segredam
Que seu amor é imenso,
Meus sonhos aí se quedam
E em seus lábios penso!
As ondas do mar me salpicam,
Meu bem, de carinhos salgados
E meus sentidos ficam
Dolorosamente alterados...
As ondas do mar me esperam
Como tu me esperas,
Meus braços a elas se deram
Alcançando outras esferas.
As ondas do mar me tomaram
Como tu me tomaste,
Meus pés se deslocaram
Para o caminho que traçaste!
As ondas do mar me levaram
Como tu me levaste,
Meus desejos se soltaram
No caminho que buscaste!
As ondas do mar nos uniram
Num abraço fatal
Que nossos corpos sentiram
Em ânsia colossal!
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Mundo
Uma luz brilha no escuro,
Estrela cadente riscando os céus,
Rasto de luz, ouro puro
Em seda negra bordando véus.
E os véus de noite feitos
Se tornam de vida adornados
Buscando argênteos leitos
Com mil anjos alcandorados.
E enfeitam a vida que se quis
Em Mundo que se não podia.
E a Morte à Vida diz
Que a Noite antecede o Dia!
Mas eis que a vitória final tarda!
A Noite e o Dia, inimigos irmãos,
Se distantes apenas uma jarda,
A tornam anos-luz em nossas mãos!
Não sei onde fica a Noite e a Morte,
Tão pouco a Vida e o Dia,
Mas sei que a má sorte
Coabita com a alegria!
Dor e alegria,
Paz e guerra,
Noite e dia,
Ar e terra,
Vida e morte,
Mãos e pés,
Azar e sorte...
Antítese és!
sábado, 12 de janeiro de 2008
Agradeço à turtlemoon a escolha do meu blogue.
O meus nomeados são:
- http://sonhadoremfulltime.blogspot.com/
- http://eusoulouco2.blogs.sapo.pt/
- http://poetaeusou.blogspot.com/
- http://paginapoema.blogspot.com/
- http://olharesvagos.blogspot.com/
- http://bloguecartas.blogspot.com/
- http://vilapraiadeancora.blogs.sapo.pt/
Papagaio de papel
Sobe, papagaio de papel,
Às nuvens de poalha dourada,
Solta-te desse cordel,
Procura outra estrada!
Sobe, procura teu galardão
No Sol que te acena sorrindo,
Em cada raio uma mão
Que te diz: bem-vindo!
Sobe, que já desceste a pique.
Aproveita o vento de feição,
Pede-lhe com alma que fique
E carregue teu coração!
Sobe, abarca todo o Universo,
Agarra-o com tua mão,
Grita-o como um verso,
Agita-o como furacão!
Sobe, apossa-te do Mundo.
Aproveita seu azul vivo,
Radiante, tão profundo,
Deixa de gemer: “ Não consigo!”.
Sobe, no Sol te quero.
Nas nuvens por sobre o mar,
Em volúpias azuis eu espero
Bilros dourados te ver sonhar!
EscritArtes
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Cansaço
Mundo cruel, Vida tirana...
Por que esperas Morte ingrata?
Tua foice, em minha alma, sana
As feridas que ninguém trata!
Velha negra, por que esperas?
Cobre meus ombros com tua capa,
Carrega-me para outras esferas
E tua voz soará como harpa!
Teu canto será suave
Como canto de sereia,
Não colocarei entrave
Sequer te acharei feia!
Dá-me o teu regaço,
Mãe te sentirei!
É tão grande o cansaço!...
Dormirei!...
http://www.escritartes.com/forum/index.php?referredby=3
Por que esperas Morte ingrata?
Tua foice, em minha alma, sana
As feridas que ninguém trata!
Velha negra, por que esperas?
Cobre meus ombros com tua capa,
Carrega-me para outras esferas
E tua voz soará como harpa!
Teu canto será suave
Como canto de sereia,
Não colocarei entrave
Sequer te acharei feia!
Dá-me o teu regaço,
Mãe te sentirei!
É tão grande o cansaço!...
Dormirei!...
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terça-feira, 1 de janeiro de 2008
Tua mão
As águas límpidas fluem
Num sussurrar incolor;
Luz e sombra se confundem
Numa tela bicolor.
Azul e verde, generosos,
Trazem paz ao meu olhar.
Anseio bosques frondosos,
Água fresca a borbulhar.
Alongo-me perdida
Na imensidão dessa paz.
Dás-me a mão já esquecida
Da doçura de que és capaz!
Aceito-a porque te quero
Num querer doce de cores
Que se esperam e eu espero
Longe de negrumes e dores.
Pudera eu eternizar
A doçura deste momento,
De vez ao mar lançar
Todo o meu tormento...
Pudera eu morrer assim,
Bêbada de azul e verde,
Vendo descer sobre mim
A benção de uma mão que se perde...
A felicidade desse instante
Seria o Paraíso que se sonha;
Teu olhar, o bastante
Para que um Céu se componha...
Socorro!, Deus, que blasfemo!
Ai! O Amor é tão louco
Que, por ele, nada temo
E a dor sabe-me a pouco!
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Num sussurrar incolor;
Luz e sombra se confundem
Numa tela bicolor.
Azul e verde, generosos,
Trazem paz ao meu olhar.
Anseio bosques frondosos,
Água fresca a borbulhar.
Alongo-me perdida
Na imensidão dessa paz.
Dás-me a mão já esquecida
Da doçura de que és capaz!
Aceito-a porque te quero
Num querer doce de cores
Que se esperam e eu espero
Longe de negrumes e dores.
Pudera eu eternizar
A doçura deste momento,
De vez ao mar lançar
Todo o meu tormento...
Pudera eu morrer assim,
Bêbada de azul e verde,
Vendo descer sobre mim
A benção de uma mão que se perde...
A felicidade desse instante
Seria o Paraíso que se sonha;
Teu olhar, o bastante
Para que um Céu se componha...
Socorro!, Deus, que blasfemo!
Ai! O Amor é tão louco
Que, por ele, nada temo
E a dor sabe-me a pouco!
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Também quero ir
Sorri.
Ainda que teus olhos
Calem dentro de si
Dores cruéis aos molhos!
Canta.
Mesmo se o coração
Sofre dor tanta, tanta
E não sabe canção!
Dança!
Que o Sol, mais loiro ainda
Que a minha longa trança,
Diga que esta dor finda!
Voa!
O céu inteiro teu
Espalha vida à toa
Nessa noite de breu!
Leva-me!
Eu também quero ir!
Eu sou alma que geme
E não sabe sorrir!
Ainda que teus olhos
Calem dentro de si
Dores cruéis aos molhos!
Canta.
Mesmo se o coração
Sofre dor tanta, tanta
E não sabe canção!
Dança!
Que o Sol, mais loiro ainda
Que a minha longa trança,
Diga que esta dor finda!
Voa!
O céu inteiro teu
Espalha vida à toa
Nessa noite de breu!
Leva-me!
Eu também quero ir!
Eu sou alma que geme
E não sabe sorrir!
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Amigo
Quem és, amor que não sei?
Onde estás, amor que não vi?
O sofrimento que te dei
Foi dor que já esqueci!
Adoro o que não conheço,
Partilho o que não existe
Como sabes o que te peço?
Diz, amigo, o que sentiste?
Trazes o que adoro?!
Como sabes o que me mata,
Como sabes por quem choro?
Amigo, este mal se trata?
Não existes Tu, não existo Eu
O Mundo não É nem Foi
O Céu foi chão que já deu
O Inferno é fogo que já não dói!
Nada existe além de um vem,
Nada vem de um irei
Porque o ir (e o vir!) nada tem
Daquilo que te direi!
Estende a tua mão, amigo,
Partilha o que não tenho;
A minha vida, por castigo,
É uva doce em seco lenho!
Onde estás, amor que não vi?
O sofrimento que te dei
Foi dor que já esqueci!
Adoro o que não conheço,
Partilho o que não existe
Como sabes o que te peço?
Diz, amigo, o que sentiste?
Trazes o que adoro?!
Como sabes o que me mata,
Como sabes por quem choro?
Amigo, este mal se trata?
Não existes Tu, não existo Eu
O Mundo não É nem Foi
O Céu foi chão que já deu
O Inferno é fogo que já não dói!
Nada existe além de um vem,
Nada vem de um irei
Porque o ir (e o vir!) nada tem
Daquilo que te direi!
Estende a tua mão, amigo,
Partilha o que não tenho;
A minha vida, por castigo,
É uva doce em seco lenho!
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Lua
A Lua cai sobre a Terra
Dorida, gemendo dor
E ouro sobre a serra
Torna paz o seu furor.
A suave luz se espalha
Pingando de dedos etéreos,
Inunda a vida que se retalha
Em raiva, dor, impropérios...
E ela, força aglutinadora,
Doce, pura, se compraz
Em reduzir a dominadora
À simples antonímia – Paz!
E clamo pela amizade extinta!
Lua amiga, a Ti eu peço,
Estendo minha mão faminta
De calor e céu que mereço.
Obrigada por teu calor,
Obrigada pelas marés no Mundo
Que caminha, Tu ao seu redor
E eu lá bem no fundo!
Iça-me, quero voar
Ver o Mundo lá de fora
E sonhar, sonhar,
Sonhar, até aurora...
http://www.escritartes.com/forum/index.php?referredby=3
Dorida, gemendo dor
E ouro sobre a serra
Torna paz o seu furor.
A suave luz se espalha
Pingando de dedos etéreos,
Inunda a vida que se retalha
Em raiva, dor, impropérios...
E ela, força aglutinadora,
Doce, pura, se compraz
Em reduzir a dominadora
À simples antonímia – Paz!
E clamo pela amizade extinta!
Lua amiga, a Ti eu peço,
Estendo minha mão faminta
De calor e céu que mereço.
Obrigada por teu calor,
Obrigada pelas marés no Mundo
Que caminha, Tu ao seu redor
E eu lá bem no fundo!
Iça-me, quero voar
Ver o Mundo lá de fora
E sonhar, sonhar,
Sonhar, até aurora...
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sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Vive
Reclina a tua fronte em meu peito,
Descansa a tua dor em minha paz;
Conta-me da mágoa que em teu leito
Escondes calado, sem palavras vãs.
Deixa-me secar essas duas lágrimas
Que teimam em bailar num mar de algas,
Percursoras de vidas ázimas
Que urge fermentar, mas que tu salgas.
O carinho e a ternura semeiam-se,
Adubam-se, livram-se de ervas daninhas,
Guiam-se para a luz e anseiam-se
Doçuras que tu apenas adivinhas.
Corre e apanha a vida que não vives,
Salta e percorre uma outra etapa,
Solta a alma e verás que sobrevives
E nem um fio de luz do Mundo se te escapa.
Estende a tua mão, eu te amparo
Abre o teu coração, eu te entendo
Mas não te abatas que é ignaro
Quem deixa a luta vencedor sendo.
Nasceste para lutar e depois vencer
Assim te quero, assim te sinto
Olha-me nos olhos, vais ver
Outras algas que te prendem. Não minto!
Vem! Corre a meus braços e chora
Grita, sufoca, blasfema ou ri.
Pouco importa se, por ora,
Não quero ver mais do que já vi!
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Descansa a tua dor em minha paz;
Conta-me da mágoa que em teu leito
Escondes calado, sem palavras vãs.
Deixa-me secar essas duas lágrimas
Que teimam em bailar num mar de algas,
Percursoras de vidas ázimas
Que urge fermentar, mas que tu salgas.
O carinho e a ternura semeiam-se,
Adubam-se, livram-se de ervas daninhas,
Guiam-se para a luz e anseiam-se
Doçuras que tu apenas adivinhas.
Corre e apanha a vida que não vives,
Salta e percorre uma outra etapa,
Solta a alma e verás que sobrevives
E nem um fio de luz do Mundo se te escapa.
Estende a tua mão, eu te amparo
Abre o teu coração, eu te entendo
Mas não te abatas que é ignaro
Quem deixa a luta vencedor sendo.
Nasceste para lutar e depois vencer
Assim te quero, assim te sinto
Olha-me nos olhos, vais ver
Outras algas que te prendem. Não minto!
Vem! Corre a meus braços e chora
Grita, sufoca, blasfema ou ri.
Pouco importa se, por ora,
Não quero ver mais do que já vi!
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sábado, 17 de novembro de 2007
Encantos
Olho-te nos olhos com paixão,
Sorvo o mel em teus beijos.
Entrega-me teu coração,
Satisfaz meus desejos!
Toma-me nos braços com ternura,
Afaga meu corpo ao de leve.
Meu olhar, em adoração pura,
Seu brilho aos teus o deve.
Prendamos nossas brancas almas
Num laço de amor verde
Feito de frescas palmas
Em cuja cor até o mar se perde!
No céu, brilham douradas
Pela pureza do sol poente.
Ah! Almas encantadas!
Ah! Encantos de duende!
Feiticeiras desgarradas,
Apartai-vos no feitiço
Que vos torna desgraçadas
Sem sequer dar por isso!
Sorvo o mel em teus beijos.
Entrega-me teu coração,
Satisfaz meus desejos!
Toma-me nos braços com ternura,
Afaga meu corpo ao de leve.
Meu olhar, em adoração pura,
Seu brilho aos teus o deve.
Prendamos nossas brancas almas
Num laço de amor verde
Feito de frescas palmas
Em cuja cor até o mar se perde!
No céu, brilham douradas
Pela pureza do sol poente.
Ah! Almas encantadas!
Ah! Encantos de duende!
Feiticeiras desgarradas,
Apartai-vos no feitiço
Que vos torna desgraçadas
Sem sequer dar por isso!
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Alma
Dás-me a tua mão.
Não me basta, quero mais.
Meu indomado coração
Quer amigos leais.
Dás-me a tua boca.
Adoro-a, não o nego,
Mas isso é coisa pouca
Quando a ti me entrego.
Dás-me o teu corpo.
Recebo-o com prazer,
Uso-o, com ele me dopo,
Mas não é o que quero ter.
Dás-me o teu desejo.
Adoro-o, por ele anseio,
É sem qualquer pejo
Que nos teus olhos o leio.
Sou deus ou demónio.
Tudo o que me dás não basta.
Meu ser, em pandemónio,
O teu aos poucos gasta.
Não quero teu corpo só.
Quero toda a tua alma,
Com a minha em cego nó,
Afundando-se num mar de calma.
Dá-me a tua alma inteira!
Só isso bastará ao sonho
De alma, sem eira nem beira,
Que nas tuas mãos agora ponho!
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Não me basta, quero mais.
Meu indomado coração
Quer amigos leais.
Dás-me a tua boca.
Adoro-a, não o nego,
Mas isso é coisa pouca
Quando a ti me entrego.
Dás-me o teu corpo.
Recebo-o com prazer,
Uso-o, com ele me dopo,
Mas não é o que quero ter.
Dás-me o teu desejo.
Adoro-o, por ele anseio,
É sem qualquer pejo
Que nos teus olhos o leio.
Sou deus ou demónio.
Tudo o que me dás não basta.
Meu ser, em pandemónio,
O teu aos poucos gasta.
Não quero teu corpo só.
Quero toda a tua alma,
Com a minha em cego nó,
Afundando-se num mar de calma.
Dá-me a tua alma inteira!
Só isso bastará ao sonho
De alma, sem eira nem beira,
Que nas tuas mãos agora ponho!
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sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Loucura de poeta
“- No limiar do sonho,
transportas as portas do sono,
busco o que não ponho,
colho trigal sem dono.
Semeei grão em terra minha,
não colhi porque não quis,
cobiço cachos de outra vinha,
delícia que não se diz!
Doces frutos, doirados
por alegre sonho anil,
um a um vindimados
em sonho, ilusão...” Senil!
Louco poeta, olha o céu, o mar,
as árvores e os pássaros alegres,
o sol, as estrelas e o luar,
à paixão não te entregues!
Amor, felicidade e paixão.
qual azeite e água na candeia,
não se misturam nunca, não,
e fácil o fogo se lhes ateia.
Paixão arde em lume vivo,
Amor em puro lume brando
Felicidade, parece castigo,
nunca vai onde a mando!
Louco poeta, esquece as almas!
Ninguém as tem iguais à tua.
À loucura batem palmas,
mas não a querem como sua!
Vive o Mundo desta era,
esquece o de antanho!
Qual leoa, dura e fera,
trepa ao alto do lenho!
Olha de lá a Terra, os Homens,
A Vida e o Sol poente...
E diz que só um sonho tens:
Encarar a Vida de frente!
http://www.escritartes.com/forum/index.php?referredby=3
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUNWfHCO91Pv4wNMFTNKbo8Mb45VJMptR2viLHK66wTm9oANLVn6fYcNF2gAxD-ErmZd4JjpQBWRpuWphyphenhyphenydWpLT2-9ETJjxRUCUJvyIeqRIx1wwNAKXpuQHNRBFjjj8VSGKq7LyM0K-o/s1600-h/DSC_0132A.jpg
transportas as portas do sono,
busco o que não ponho,
colho trigal sem dono.
Semeei grão em terra minha,
não colhi porque não quis,
cobiço cachos de outra vinha,
delícia que não se diz!
Doces frutos, doirados
por alegre sonho anil,
um a um vindimados
em sonho, ilusão...” Senil!
Louco poeta, olha o céu, o mar,
as árvores e os pássaros alegres,
o sol, as estrelas e o luar,
à paixão não te entregues!
Amor, felicidade e paixão.
qual azeite e água na candeia,
não se misturam nunca, não,
e fácil o fogo se lhes ateia.
Paixão arde em lume vivo,
Amor em puro lume brando
Felicidade, parece castigo,
nunca vai onde a mando!
Louco poeta, esquece as almas!
Ninguém as tem iguais à tua.
À loucura batem palmas,
mas não a querem como sua!
Vive o Mundo desta era,
esquece o de antanho!
Qual leoa, dura e fera,
trepa ao alto do lenho!
Olha de lá a Terra, os Homens,
A Vida e o Sol poente...
E diz que só um sonho tens:
Encarar a Vida de frente!
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domingo, 4 de novembro de 2007
Amor
Se o Amor foge voando,
Eu te peço, pássaro azul,
Leva-me no teu bando
Ao Pacífico Sul!
Se o Amor é negro como breu,
Eu te peço, Sol doirado,
Retira-me este véu,
Quero ser o El Dorado!
Se o Amor é fria Morte
Eu te peço, vida minha,
Torna agora forte
Esta frágil que caminha!
Dá-me o Amor por companhia,
O Carinho por parceiro,
A Felicidade na simpatia
De um doce companheiro!
Dá-me Paz em terra agreste,
Sonhos de que estou faminta,
Paixão que já me deste
Pintada de outra tinta!
http://www.escritartes.com/forum/index.php?referredby=3
Eu te peço, pássaro azul,
Leva-me no teu bando
Ao Pacífico Sul!
Se o Amor é negro como breu,
Eu te peço, Sol doirado,
Retira-me este véu,
Quero ser o El Dorado!
Se o Amor é fria Morte
Eu te peço, vida minha,
Torna agora forte
Esta frágil que caminha!
Dá-me o Amor por companhia,
O Carinho por parceiro,
A Felicidade na simpatia
De um doce companheiro!
Dá-me Paz em terra agreste,
Sonhos de que estou faminta,
Paixão que já me deste
Pintada de outra tinta!
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segunda-feira, 29 de outubro de 2007
delírio
Chamo por ti!
Ouço a tua voz
Vinda do meu lado.
Volto-me.
Estendo um braço,
Não te encontro
E,
Desesperadamente,
Eu procuro o teu corpo,
O teu rosto,
As tuas mãos,
Os teus braços,
Os teus lábios
À espera de amor.
Eu ouvi a tua voz!
Porque não te encontro?
Onde estás?
Onde estás, meu amor?
Responde,
Fala outra vez,
Eu preciso de ti.
Não!
Agora, mais que nunca,
Eu sei
Que não te ouvirei dizer
“Amo-te querida”,
Que jamais voltarei a sentir
Os teus dedos meigos
Deslizarem na minha face!