terça-feira, 8 de abril de 2008

Optimismo

Optimismo é beijar tua face
Sonhando beijar teus lábios
Como se o hoje em ontem se tornasse
E o uno se fizesse em vários.

Optimismo é prender tua mão
Sonhando tomar teu corpo inteiro
Como se em alegria se tornasse a solidão
E o sepulcro, de flores um viveiro.

Optimismo é tocar tua fronte
Sonhando roubar teu pensamento
Como se o vau do rio se tornasse ponte
E o marulhar das águas, teu chamamento.

Optimismo é escutar teu coração
Sonhando acelerar seu ritmo
Como se o pulsar se tornasse emoção
E a distância entre nós um istmo.

Optimismo é levar-te, amigo,
Sonhando levar-te, amor,
Como se um dia estar contigo
Fosse diferente de dor.

Sou optimista ao cubo,
Amigo elevado a menos dois,
Quando nas ondas do sonho subo
E me afundo depois.

Sou feliz sendo optimista
Que outra coisa não sei na vida,
Neste Mundo, palco de revista,
Senão rir da tristeza em prazer vestida!

sábado, 22 de março de 2008

Liberdade


Cotovia de azul negro,
Dourados bebidos no sol poente,
Voo, voo, mas nunca chego
Ao céu azul na minha frente.

Bati as asas alegremente
Quando um caçador me acenou
E voei firmemente
Na ilusão que me cercou.

Na luz do sol me ofusquei,
Atraída por seu brilho;
Ao buscar calor me queimei
No fogo feito meu trilho.

E rolei, rolei sobre mim
Até à infinidade da dor,
Buraco negro sem fim,
Sorvedouro, pântano sem cor.

Fico mais e mais pequena,
Novelo apertado em mão cruel
Solto-me! O coração sai de cena
Vogando em outro batel.

Não olho para trás em alto mar.
Fecho os olhos e remo, remo
Um, dois, um milhão, sem parar,
Num rumo onde nada temo.

Voo livre nas asas do vento,
Sem amarras nem ilusões!
Ter visto o Sol não lamento,
Tão pouco o tormento
Sofrido em turbilhões
De feroz e agreste vento!



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segunda-feira, 17 de março de 2008

Solidão

Caminhante solitário
da rua nua e crua,
da felicidade, retardatário,
da dor, acérrima pua,
pensa estar só, mas não.
Nas ruas cheias de gente
à sua volta outros estão
e sentem o que ele sente!

Neste mundo de flâmeos seres
que se limitam a coruscar
entre o ser e...os pareceres
de almas corticentas a valsar
não estás só, comissário da dor,
nessa tua solidão indelével!
De um só hausto respiro a cor
desse corcel indomável
que percorre nosso peito,
sem rédeas, imparável,
às lutas bem afeito,
de negro insaciável!

Vem, Sol, desacerbar
a angústia do vazio!
Vem, Lua, exceptuar
nosso Destino vadio!



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quarta-feira, 5 de março de 2008

Sonho

Sonho – irrealidade feita real,
Ficção feita verdade,
Pálida pétala, alva cal,
Rúbidas de saudade –

Acolhe-me em teu seio,
Embala-me em teus braços,
Apaga este fogo que ateio
A meu coração em pedaços!

Vem minha causa pleitear
Contra meu sorumbático Destino
Que se apraz em ombrear
Com o maior desatino!

Vem! Não fujas...
Vem! Eu te quero...
Ainda que finjas,
Vem! Eu te espero!


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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Eu te odeio... eu te amo...

Eu te odeio, homem,
Por ti, mulher ofendida
Por ti, mulher de outrem
De ti esquecida

homem, eu te odeio
Pela mulher que usas
Sem carinho nem receio
Quando dela abusas.

Eu te odeio, macho,
Pelo amor que não dás,
Pela paixão que te não acho,
Pelas tuas palavras vãs.

Macho, eu te odeio
Pela fúria com que tocas
Da mulher, seu seio,
Em certas horas loucas.

Eu te odeio, Ser letal,
Com toda a convicção
Do que meu corpo, gelo e sal,
Sente ao toque de tua mão.

Eu te odeio, Ser horrendo,
Com furiosa paixão.
Amor e ódio vão sendo
Hastes de um só diapasão!

Eu te amo, Homem,
Por cada mulher acarinhada,
Diferente das que sofrem
Porque bem amada!



Homem, eu te amo
Por cada Mulher que fecundas
Sem raiva nem engano,
Duas almas juntas!

Eu te amo, Ser viril
Com minha alma de Mulher,
Flor do mês de Abril,
Pétala de malmequer.

Eu te amo, Ser de mel,
Lírio puro de veludo,
Quando toco tua pele
E meus lábios pedem tudo!

Eu te amo, Homem,
Ser íntegro, verdadeiro,
Amante, amigo também,
Homem... por inteiro!



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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

A um ideal

Quero agarrar tua mão,
Um a um beijar teus dedos,
Dizer sim quando a lei é não,
Espantar os medos!

Quero acariciar teus cabelos,
Morder teus lábios cheios,
Esfregar, furiosa, em teus pêlos
Meus seios!

Quero possuir-te inteiro,
Eu, pela metade possuída,
Num Tempo Absoluto, Primeiro,
De Vida!

Quero ser tua e que tu sejas meu
Eu, Tu, Nós, um Todo,
Tudo o que a Natureza me deu
Em fogo!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Paisagem

A água escorre pura,
Prata saltando a rocha,
Luz de minha noite escura,
Da madrugada minha tocha.

As pedras lisas refulgem
E o cenário se compõe,
As margens tristes se tingem
Do ouro que o sol lhes põe.

O verde fica mais dourado,
As velhas pedras mais vetustas,
O azul da água prateado,
As nossas vidas mais curtas.

E as margens se alongando
A nossos olhos esfaimados...
Os pássaros passam em bando
Lembrando sonhos cansados.

De que nos vale sonhar
Mais, mais e sempre mais
Se, quando o dia acabar
Não saberei onde tu vais?

De que serve, debaixo da ponte,
Espreitar o outro lado
Se, por mais que eu conte,
Não o serei como era dado?

A vida que está de lá
É igual, sem tirar nem pôr,
À deste lado de cá:
Mais amor, menos amor...

De que serve dares-me a mão
Se já não tenho o braço?
De que me serve o coração
Numa vida de cansaço?

A paisagem bem ri, serena,
Querendo dar-me paz,
Mas não traduz mais que a pena
De não ser capaz!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Chuva

A chuva cai serena e pura
Lavando a minha alma
De uma carapaça dura
Aparentando calma!

O que vai no meu peito
Não é calma, é dor
De uma paixão que tem por leito
Um glaciar debruado a calor!

E eu peço: calor desfaz o gelo,
Gelo arrefece o fogo!
Mas o frio continuo a tê-lo
Porque o calor foge logo!

E o frio em mim permanece
Porque o gelo não se desfaz;
O calor que o aquece
Não tem força capaz!

Só a chuva ameniza meu ser,
Diminui o frio que queima.
E o gelo, a aquecer,
Ainda assim teima, teima...

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Estrela cadente

Cai, estrela cadente,
Cai na minha alma,
Torna-a ardente,
Tira-lhe a calma...

Ela esqueceu-se de viver,
Esqueceu-se de sonhar,
Já não tem querer
Que a faça andar!

Apagou-se na escuridão
De uma noite sem lua,
Só, entre a multidão
Que enche a rua.

Dá-lhe um pouco de tua luz,
Dá-lhe um pouco da prata
Que a queda te produz,
Leva a dor que a mata!

Fá-la vibrar!
Fá-la viver!
Fá-la cantar!
Fá-la querer!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Futuro adiado

O céu pesado de nuvens
Cinzentas, escorrendo dor,
Choram e tu não vens
Cansado de meu amor...

Rasgam-se às asas leves
De mil gaivotas de cor
Branca entoando, breves,
Um concerto em dó menor...

Não vens e elas gritam,
Como eu, por quem não vem
E meus braços se agitam
Numa força que já não têm!

Solto-me no ar pesado
De chumbo, como meu peito,
Num Futuro adiado
Para sempre em seu leito!

domingo, 20 de janeiro de 2008

As ondas do mar






As ondas do mar me embalam
Em berço azul e salgado,
Os salpicos brancos me falam
Que meu amor é chegado.

As ondas do mar mo mostram
No alto de um rochedo,
Os meus olhos o encontram
E o olham tão a medo!...

As ondas do mar me sussurram
Que ele me quer tanto, tanto
Que seus olhos me procuram
Tomados de doce encanto.

As ondas do mar me segredam
Que seu amor é imenso,
Meus sonhos aí se quedam
E em seus lábios penso!

As ondas do mar me salpicam,
Meu bem, de carinhos salgados
E meus sentidos ficam
Dolorosamente alterados...

As ondas do mar me esperam
Como tu me esperas,
Meus braços a elas se deram
Alcançando outras esferas.

As ondas do mar me tomaram
Como tu me tomaste,
Meus pés se deslocaram
Para o caminho que traçaste!

As ondas do mar me levaram
Como tu me levaste,
Meus desejos se soltaram
No caminho que buscaste!

As ondas do mar nos uniram
Num abraço fatal
Que nossos corpos sentiram
Em ânsia colossal!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Mundo







Uma luz brilha no escuro,
Estrela cadente riscando os céus,
Rasto de luz, ouro puro
Em seda negra bordando véus.

E os véus de noite feitos
Se tornam de vida adornados
Buscando argênteos leitos
Com mil anjos alcandorados.

E enfeitam a vida que se quis
Em Mundo que se não podia.
E a Morte à Vida diz
Que a Noite antecede o Dia!

Mas eis que a vitória final tarda!
A Noite e o Dia, inimigos irmãos,
Se distantes apenas uma jarda,
A tornam anos-luz em nossas mãos!

Não sei onde fica a Noite e a Morte,
Tão pouco a Vida e o Dia,
Mas sei que a má sorte
Coabita com a alegria!

Dor e alegria,
Paz e guerra,
Noite e dia,
Ar e terra,
Vida e morte,
Mãos e pés,
Azar e sorte...


Antítese és!

sábado, 12 de janeiro de 2008

Agradeço à turtlemoon a escolha do meu blogue.
O meus nomeados são:



Papagaio de papel


Sobe, papagaio de papel,
Às nuvens de poalha dourada,
Solta-te desse cordel,
Procura outra estrada!

Sobe, procura teu galardão
No Sol que te acena sorrindo,
Em cada raio uma mão
Que te diz: bem-vindo!

Sobe, que já desceste a pique.
Aproveita o vento de feição,
Pede-lhe com alma que fique
E carregue teu coração!

Sobe, abarca todo o Universo,
Agarra-o com tua mão,
Grita-o como um verso,
Agita-o como furacão!

Sobe, apossa-te do Mundo.
Aproveita seu azul vivo,
Radiante, tão profundo,
Deixa de gemer: “ Não consigo!”.

Sobe, no Sol te quero.
Nas nuvens por sobre o mar,
Em volúpias azuis eu espero
Bilros dourados te ver sonhar!


EscritArtes

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Cansaço

Mundo cruel, Vida tirana...
Por que esperas Morte ingrata?
Tua foice, em minha alma, sana
As feridas que ninguém trata!

Velha negra, por que esperas?
Cobre meus ombros com tua capa,
Carrega-me para outras esferas
E tua voz soará como harpa!

Teu canto será suave
Como canto de sereia,
Não colocarei entrave
Sequer te acharei feia!

Dá-me o teu regaço,
Mãe te sentirei!
É tão grande o cansaço!...
Dormirei!...


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terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Tua mão

As águas límpidas fluem
Num sussurrar incolor;
Luz e sombra se confundem
Numa tela bicolor.

Azul e verde, generosos,
Trazem paz ao meu olhar.
Anseio bosques frondosos,
Água fresca a borbulhar.

Alongo-me perdida
Na imensidão dessa paz.
Dás-me a mão já esquecida
Da doçura de que és capaz!

Aceito-a porque te quero
Num querer doce de cores
Que se esperam e eu espero
Longe de negrumes e dores.

Pudera eu eternizar
A doçura deste momento,
De vez ao mar lançar
Todo o meu tormento...

Pudera eu morrer assim,
Bêbada de azul e verde,
Vendo descer sobre mim
A benção de uma mão que se perde...

A felicidade desse instante
Seria o Paraíso que se sonha;
Teu olhar, o bastante
Para que um Céu se componha...


Socorro!, Deus, que blasfemo!
Ai! O Amor é tão louco
Que, por ele, nada temo
E a dor sabe-me a pouco!




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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Também quero ir

Sorri.
Ainda que teus olhos
Calem dentro de si
Dores cruéis aos molhos!

Canta.
Mesmo se o coração
Sofre dor tanta, tanta
E não sabe canção!

Dança!
Que o Sol, mais loiro ainda
Que a minha longa trança,
Diga que esta dor finda!

Voa!
O céu inteiro teu
Espalha vida à toa
Nessa noite de breu!

Leva-me!
Eu também quero ir!
Eu sou alma que geme
E não sabe sorrir!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Amigo

Quem és, amor que não sei?
Onde estás, amor que não vi?
O sofrimento que te dei
Foi dor que já esqueci!

Adoro o que não conheço,
Partilho o que não existe
Como sabes o que te peço?
Diz, amigo, o que sentiste?

Trazes o que adoro?!
Como sabes o que me mata,
Como sabes por quem choro?
Amigo, este mal se trata?

Não existes Tu, não existo Eu
O Mundo não É nem Foi
O Céu foi chão que já deu
O Inferno é fogo que já não dói!

Nada existe além de um vem,
Nada vem de um irei
Porque o ir (e o vir!) nada tem
Daquilo que te direi!

Estende a tua mão, amigo,
Partilha o que não tenho;
A minha vida, por castigo,
É uva doce em seco lenho!

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Lua

A Lua cai sobre a Terra
Dorida, gemendo dor
E ouro sobre a serra
Torna paz o seu furor.

A suave luz se espalha
Pingando de dedos etéreos,
Inunda a vida que se retalha
Em raiva, dor, impropérios...

E ela, força aglutinadora,
Doce, pura, se compraz
Em reduzir a dominadora
À simples antonímia – Paz!

E clamo pela amizade extinta!
Lua amiga, a Ti eu peço,
Estendo minha mão faminta
De calor e céu que mereço.

Obrigada por teu calor,
Obrigada pelas marés no Mundo
Que caminha, Tu ao seu redor
E eu lá bem no fundo!

Iça-me, quero voar
Ver o Mundo lá de fora
E sonhar, sonhar,
Sonhar, até aurora...


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sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Vive

Reclina a tua fronte em meu peito,
Descansa a tua dor em minha paz;
Conta-me da mágoa que em teu leito
Escondes calado, sem palavras vãs.

Deixa-me secar essas duas lágrimas
Que teimam em bailar num mar de algas,
Percursoras de vidas ázimas
Que urge fermentar, mas que tu salgas.

O carinho e a ternura semeiam-se,
Adubam-se, livram-se de ervas daninhas,
Guiam-se para a luz e anseiam-se
Doçuras que tu apenas adivinhas.

Corre e apanha a vida que não vives,
Salta e percorre uma outra etapa,
Solta a alma e verás que sobrevives
E nem um fio de luz do Mundo se te escapa.

Estende a tua mão, eu te amparo
Abre o teu coração, eu te entendo
Mas não te abatas que é ignaro
Quem deixa a luta vencedor sendo.

Nasceste para lutar e depois vencer
Assim te quero, assim te sinto
Olha-me nos olhos, vais ver
Outras algas que te prendem. Não minto!

Vem! Corre a meus braços e chora
Grita, sufoca, blasfema ou ri.
Pouco importa se, por ora,
Não quero ver mais do que já vi!

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sábado, 17 de novembro de 2007

Encantos

Olho-te nos olhos com paixão,
Sorvo o mel em teus beijos.
Entrega-me teu coração,
Satisfaz meus desejos!

Toma-me nos braços com ternura,
Afaga meu corpo ao de leve.
Meu olhar, em adoração pura,
Seu brilho aos teus o deve.

Prendamos nossas brancas almas
Num laço de amor verde
Feito de frescas palmas
Em cuja cor até o mar se perde!

No céu, brilham douradas
Pela pureza do sol poente.
Ah! Almas encantadas!
Ah! Encantos de duende!

Feiticeiras desgarradas,
Apartai-vos no feitiço
Que vos torna desgraçadas
Sem sequer dar por isso!