domingo, 3 de junho de 2007

O meu tempo





A minha vida chove
Num mundo onde entrei
Sem licença para amar!
Apertei-me num canto,
Mostrou-mo o amor,
E não sei fugir.
Fez-se abrigo de loucura,
Respiração acesa,
Emoção gritante!
Inebriada,
Em cada êxtase
Deixo-me ficar...
O deleite adormece-me nos teus braços...
De abandono!
Sofri,
Sorri,
Esperei,
Desesperei!
Refugio-me na alcova da Saudade,
E sorvo-te em cada golfada de ar fresco!
Olho para trás!
No roteiro da minha vida,
Sinto-te cada vez mais perto...
Colho-te,
Em instantes de entrega,
Livre na ilusão,
Vazia na lógica...

Mas, num Universo onde a razão é a minha,
Tenho-te em cada encontro adiado,
Na solidão obscura do meu tempo em ti!

terça-feira, 29 de maio de 2007

Posse


Visto-me na sumptuosidade da Lua
Com tecidos de sombra e loucura!
Solto convites surdos,
Caprichos fantasiosos
De secretos anseios...
Pego fogo à pira das emoções
Na sede de te querer,
Na fome de te possuir...
Penso-te no arrepio da minha pele,
Possuo-te no desassossego da minha saudade invertida!
Gotículas de prazeres mútuos fogem de nós,
Instalam-se na distância,
Unem-se para lá das imposições.
Sinto o meu amplexo fluir sobre ti,
As bocas sofridas,
Entreabertos,
Os lábios gritam no instante sublime
Do prazer consumado...

Na minha alienada cegueira,
A inquietação da tua ausência esbateu-se
E ,na tentação dos sentidos,
Contemplei-te através das doces carícias que te entreguei,
Da união que projectei além de nós!

sábado, 26 de maio de 2007

Não vieste




Penso em ti,
Mistério de memória pintada em minha alma,
E esqueço-me de mim,
Respiro-te no Sol que me aquece
E aspiro-te nos aromas da saudade!

Procuro-te por entre as árvores do nosso jardim encantado,
Deambulo entre ramos e lianas que me impedem o avanço,
Tropeço no emaranhado das raízes que se libertam da terra…

E o gemido das folhas secas esmagadas pelos meus pés
Soa-me ao teu nome!
O perfume das flores sussurra-me que virás…
E os fracos raios de Sol
Penetrando a sombra
Desenham no chão o meu caminho para ti!

Cheguei,
Esperei
E desesperei na ânsia de ti!
Despi-me do desgosto,
Vesti-me de ânsia e carícias
E ofereci-me às tuas mãos que não vieram.
Soltei o meu desejo
E fiz dos meus dedos os teus.
Escondida entre os ramos da paixão,
Fui onde tu não quiseste ir…

Amei-me apaixonadamente
Num momento que tu não viveste!

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Pacto




Para além dos meus sentidos
Retenho o teu sorriso,
Tacteado na avidez do desejo...

As minhas entranhas enlouquecidas
Guiam-te os movimentos
Sedentos de luxúria!
Os nossos lábios calam-se,
Colados,
Molhados...
Perdida em ti,
Procuro-te a alma,
Mas és tu quem transpõe a minha...
Aí te aninhas
E te fundes comigo!
Alucinada na minha paixão
Penso selar um pacto de Amor.
A mente sossega,
O alvoroço dos sentidos se acalma...

E de mansinho,
Ao compasso da serenata da lua,
Te entrego a minha essência!
Vais-te!
E eu percebo na Saudade:
Foi na minha pele latejante
Que deslizaste a pena
Com que assinaste o nosso pacto!

terça-feira, 15 de maio de 2007

Roda do tempo




Perdida,
Entre o meu mundo e o teu
Encontrei a roda do tempo.
Olhei para um lado,
Olhei para o outro...
Ninguém!
(só a saudade espreita!)
Aproximei-me!
Voltei a olhar!
Ninguém!
Num só impulso,
Fi-la rodar
(ao contrário!)
E recuei no tempo.
Entre lençóis volta a ser Verão!
Enlaças-me,
Saboreio o paladar quente da nossa paixão,
Derreto sob o calor da tua língua,
Evaporo-me sob as tuas carícias de fogo!
Nesses momentos escaldantes
Transpiramos emoções,
Deixamos arder a lucidez
Nas chamas do prazer
Que em nós lavram!
A luxúria acena-nos do corpo de cada um
E loucamente nos entregamos,
Colamos,
Fundimos
Incansavelmente...

Mas, lentamente,
A roda do tempo dá conta do erro,
Encontra-se,
E volta a chover!

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Fóssil



De alma destroçada,
Não me conheço.
Deambulo por estas praias da vida,
Mas apetecem-me os rochedos mais além!
Olho o mar revolto,
O céu pintado de memórias
E apanho a saudade caída a meus pés!
Deambulo descalça!
O caminho que demando
É feito de areia movediça!
Cheira a mar,
Mas é lodo.
São os pensamentos de sal,
Temperando a minha recordação,
Que fazem as gaivotas soprarem maresia das suas penas!
Enquanto me afundo,
Sinto-te,
Olhando as marcas que deixaste nas minhas areias...

O vento sopra,
Sopra,
Tenta apagar as tuas pegadas...
Fossilizadas!...

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Chave da alma




Sopra forte
O vento da saudade...
Polvilhando-me de resquícios de ti...
Refugio-me na alma
E tranco-lhe a porta...

Devoro,
Em lautos banquetes,
Doses maciças de desrecordações,
Diante das cortinas cerradas do sonho!
E bloqueio o pensamento!
Deito-me com as lembranças,
Pensando que estou só;
Aqueço-me com o desejo,
Pensando que não te quero;
Faço dormir um corpo faminto,
Pensando que está cansado...
Mas dentro da minha alma permanecem,
Teus aromas,
Teu sabor,
Teus beijos molhados...

Contraio os músculos do pensamento,
Desprendo-me das memórias,
E alieno-me no desejo e na loucura!
Dentro de mim estás tu,
Fogo que me consome...

Tenho que sair de mim...

Onde deixei a chave?!

quinta-feira, 3 de maio de 2007

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Em parte nenhuma



Recordas a tarde em que entrei no teu sonho?
De que cor me pintaste?
Que forma me deste?
Que nome procuraste no vazio dos teus arquivos?
Em instantes de eternidades desconhecidas
Recordarás os meus suspiros
Espalhados pela tua pele?
No meu reino da saudade,
Baralho a ilusão,
Perco-me no teu céu
E nas tuas memórias...

Soprei da minha vida o teu perfume
Mas o vento trá-lo de volta!
Calada,
Nas minhas alucinações,
Sei que ainda lembras o nome
De quem não existe!
Dentro de ti,
Saboreia
A doçura das carícias que te não faço,
Os beijos que te não dou
E chama por mim!
Estou em parte nenhuma...

E tu dentro de mim!...

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Serviço postal


Espero,
Olhando a linha do horizonte,
O nascer do meu sol...
No mar da minha alma,
O sol se pôs,
Ontem e todos os dias,
Deixando-a negra,
Porque a Lua Nova me castigou.
Hoje este mar mágico,
Repleto de sentimento,
Separa-me de ti mas,
Na serenidade destas confidências,
Consigo tocar-te,
Cada vez que mergulho nas águas da Saudade,
E respirar-te
Na maresia de oceanos de desejo!
No espelho das águas,
A brisa desenhou o teu rosto
E pintou-o de ternura!
Esta manhã,
Ofereço a colina dos meus seios ao teu amanhecer,
Sopro um beijo perfumado de paixão
E ele percorre a distância entre nós,
Embrulhado nas palavras que te envio,
Num serviço postal inexistente!

quinta-feira, 19 de abril de 2007

5 BLOGS THAT MAKE ME THINK



Foi com muito orgulho que me vi nomeada com o "thinking blogger award", um dos 5 blogs que faz pensar.
Agradeço ao "sonhador em full time" (Jonny)e às "palavras soltas"(Mário Margaride) por terem nomeado o blog poesiamgd como um dos que os fazem pensar.

É bom sabermos que nos apreciam as letras que, quantas vezes, lançamos ao papel sem pensarmos, nós próprios, na profundidade com que marcam os outros.

Complicado é escolher agora 5 blogs para receberem o prémio também. Gosto de tantos que leio que se me torna difícil decidir.
Aos que não nomeio, as minhas mais sinceras desculpas.

Estes nomeados devem copiar o selo correspondente e afixá-lo na barra lateral dos seus blogs. De seguida devem nomear os cinco blogs que escolheram e fazer um post a nomeá-los.

Os nomeados são:

alquimista
eu sou louco
poesia portuguesa
poeta eu sou
tok


 

Escrita

Lês-me a alma inquieta,
Passeias sobre a minha pele macia,
Percorres o meu querer
E traças o meu sorriso
No desassossego de cada carícia.
Guio-te as mãos na procura das minhas formas,
Alvoroço-te os sentidos
No calor da paixão
Que a ponta dos teus dedos anima,
E adivinho os teus anseios
Nas letras da palavra saudade!
Procuro-te em cada uma,
Sonho-te nas vírgulas da minha vida
E escondo-me nua
Na seara do meu desejo!
Sonhas-me em abraços de ilusão ,
Possuis-me em cada texto que te deixo
E transpiras devaneios
Sob lençóis de papel,
Gozando em amplexos escondidos em cada linha!
Estremeces em cada afago de vocábulos,
Beijas os meus lábios de silêncio
E escutas o amor gemendo nas entrelinhas!
Toco-te com fonemas e grafemas,
Perfumo-te de segredos
Num orgasmo de saudade!

terça-feira, 17 de abril de 2007

Melodia a quatro mãos


No silêncio da tarde,
Soltas melodias de encantar
Na dança dos teus dedos...

Nos teus lábios,
Os acordes perfeitos
Trazem a voz das estrelas
Que aconchegam o descanso do meu corpo
Inventado em ti!
De corpos colados,
Pairam sobre mim sussurros de mãos,
Fluídos trocados,
Mistura de línguas e magias...
E os lábios,
Escorregando de paixão,
Anulam o espaço além de nós!

As nossas quatro mãos derramam-se,
Entranham-se em suspiros,
E o diapasão dos nossos corpos
Afina o ritmo desta valsa,
Composta na pauta da minha saudade.
No instante em que nos entrelaçamos,
Numa orquestra de emoções,
E tocamos de improviso
Na sintonia do desejo,
Eu invento a música que só tu saberás reger!

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Adeus


A minha madrugada
De prazeres inventados
Incendeia-se na luz real!
Ardem os laços que nos ataram,
Perco-me no labirinto das vielas que me levaram a ti!
O mapa que inventei para te encontrar fez-se cinza
E a rua por onde te passeei
Desapareceu ao fundo da minha saudade.
Mas não ficas perdido
Nesse mundo que não conheces.
Os momentos acompanhar-te-ão,
As palavras que aqui lanço
Levam-te a minha mão...
Para dizer adeus!...

sábado, 7 de abril de 2007

Pôr-do-sol



Preencho o meu pôr do sol,
As minhas horas,
Os meus séculos
Com saudades de fim de tarde!
Vens sorrindo estrelas
E anuncias luares de Janeiro...
Contemplo-te deste lado das horas tardias
E vejo-te no espelho da ausência.
Para lá do infinito da minha alma,
Construo a ponte que me leva a ti
E agarro a mão
Que me faz atravessar oceanos de carinho!
Na orla do meu caminho para ti,
Rompo a queratina do tempo
E a cartilagem da dor,
Toco-te a serenidade,
A tua linha de horizonte que desconheço
E encontro afagos,
Vontade de encher vazios,
Asas de ternuras
Entranhadas na ausência!

terça-feira, 3 de abril de 2007

Saudade


Abro os braços à noite,
Ao alvoroço sufocante
Da minha pele passeando em ti...
Estendo as asas da saudade,
E liberto o carinho com que te enlaço!
Prendo-te no fio de seda que solto do meu abraço
A caminho de nós...
Roço-te o ventre com a língua do pensamento
Impulsionando o teu aroma
Para os beirais do meu desejo...
Desvendo-te gotas de prazer
Escorrendo em mim
E desfruto-as no feitiço das minhas palavras!
Sugo-te o fulgor da alma
Suspensa nos lábios
E beijo cada pingo de mel
Que se te afunda na pele!
Cheiro o calor da tua paixão
Queimando a minha voz
E envolvo-te no vazio da saudade!
Sucumbo à ternura inflamada...
E fujo de mim!

domingo, 1 de abril de 2007

Ausência




Abraço a doce saudade,
Do teu extasiante sol poente em mim...
Ofusco-me nas centelhas de prazer
Que as tuas ousadias lançam ao céu
E seduzo-te no planeta das emoções,
Na galáxia da minha paixão!
Estrelas reluzem e cintilam no teu toque,
A pele da minha alma suspira
Ao compasso da voz do teu amor em mim,
Qual reflexo da essência do tempo!
Copio uma fantasia
Lida nas estrelas
Que espalhaste no céu do meu desejo...
Despes-me em carícias enfeitadas de lírios brancos
Enlaçadas na luz dos teus dedos
E nascem no meu corpo
As mãos da tua alma...
Acaricias-me em conquistas mágicas
De encantamento e perdição...
Caminho ao encontro da minha ilusão
E encontro-te dentro de mim!

sexta-feira, 30 de março de 2007

Confessa


Espreito-te no longe,
Chamo-te entre as brumas do tempo...
Mas as penumbras da memória,
Perpetuada pelo deslizar dos meus dedos no papel,
Escondem-te atrás de ti!

Vem...
Mostra-te no teu sorriso,
Perfuma-me com a tua voz quente,
Fala-me do tempo do Amor
E volta a dar-me a mão!
Leva-me contigo para dentro do teu abraço
E da minha fantasia!
Confessa ao meu ouvido
Quantos beijos ofereces ao meu silêncio!
Sussurra-me o prazer do sonho
Que espreitas em mim!
Beija as minhas sensações
De pele perfumada,
Amanhecida
Na alvorada tranquila
De um livre divagar...

Diz à lua
Baixinho, baixinho...
Palavras de desejo...
Por mim!
E enfeitiça o meu sono!

quarta-feira, 28 de março de 2007

Essências


Entre os meus cabelos desalinhados
Encontro os teus dedos
Macios
Sussurrando na minha pele
Carícias esquecidas!
Dentro dos meus olhos
Encontro o murmúrio
(e o silêncio!)
Do teu rosto!
Pestanejas sorrisos que me aquecem a alma
E estendo-te os meus lábios de fogo
Numa prece de caminhos trilhados
No meu corpo
Pelo teu...
Ainda procuro a boca que me desnudou
E, entre lençóis brancos,
Desceu a colina dos meus seios
E se precipitou na foz do meu prazer...

No meu corpo vazio de ti
Ouve-se o eco dos sons
Que no silêncio do quarto nu
Entoámos em horas só nossas...
E, na solidão das minhas coxas,
Evaporam-se essências esquecidas,
Borbulhantes de loucuras a dois!

segunda-feira, 26 de março de 2007

Emoções


A manhã rende-se ao vento Sul...
Sem pudor, veste-se de negro...
Sensual, busca a Lua
Mas ela foi-se!...
O sol brilha...
Num trono de diamantes,
Ofereço o meu corpo às tuas mãos...
Centelhas de emoções
Gritam o teu nome
Mas a distância amanheceu em ti!
Perco-me nas minhas ousadias,
Perco-te nos teus êxtases
Lançados à saudade,
Abraçados a outros sonhos!
Estendo as minhas mãos
E apenas encontro fios de dor
Que caminham para o Infinito!
Tacteio a tua boca
E encontro pétalas de vento
Correndo para o Paraíso!
E a minha voz cruza os céus,
Toca-te a pele,
Sussurra ao teu ouvido
Que habito a Noite
E o Silêncio...
E nem as mãos do meu pensamento
Te conseguem afagar!