terça-feira, 17 de abril de 2007

Melodia a quatro mãos


No silêncio da tarde,
Soltas melodias de encantar
Na dança dos teus dedos...

Nos teus lábios,
Os acordes perfeitos
Trazem a voz das estrelas
Que aconchegam o descanso do meu corpo
Inventado em ti!
De corpos colados,
Pairam sobre mim sussurros de mãos,
Fluídos trocados,
Mistura de línguas e magias...
E os lábios,
Escorregando de paixão,
Anulam o espaço além de nós!

As nossas quatro mãos derramam-se,
Entranham-se em suspiros,
E o diapasão dos nossos corpos
Afina o ritmo desta valsa,
Composta na pauta da minha saudade.
No instante em que nos entrelaçamos,
Numa orquestra de emoções,
E tocamos de improviso
Na sintonia do desejo,
Eu invento a música que só tu saberás reger!

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Adeus


A minha madrugada
De prazeres inventados
Incendeia-se na luz real!
Ardem os laços que nos ataram,
Perco-me no labirinto das vielas que me levaram a ti!
O mapa que inventei para te encontrar fez-se cinza
E a rua por onde te passeei
Desapareceu ao fundo da minha saudade.
Mas não ficas perdido
Nesse mundo que não conheces.
Os momentos acompanhar-te-ão,
As palavras que aqui lanço
Levam-te a minha mão...
Para dizer adeus!...

sábado, 7 de abril de 2007

Pôr-do-sol



Preencho o meu pôr do sol,
As minhas horas,
Os meus séculos
Com saudades de fim de tarde!
Vens sorrindo estrelas
E anuncias luares de Janeiro...
Contemplo-te deste lado das horas tardias
E vejo-te no espelho da ausência.
Para lá do infinito da minha alma,
Construo a ponte que me leva a ti
E agarro a mão
Que me faz atravessar oceanos de carinho!
Na orla do meu caminho para ti,
Rompo a queratina do tempo
E a cartilagem da dor,
Toco-te a serenidade,
A tua linha de horizonte que desconheço
E encontro afagos,
Vontade de encher vazios,
Asas de ternuras
Entranhadas na ausência!

terça-feira, 3 de abril de 2007

Saudade


Abro os braços à noite,
Ao alvoroço sufocante
Da minha pele passeando em ti...
Estendo as asas da saudade,
E liberto o carinho com que te enlaço!
Prendo-te no fio de seda que solto do meu abraço
A caminho de nós...
Roço-te o ventre com a língua do pensamento
Impulsionando o teu aroma
Para os beirais do meu desejo...
Desvendo-te gotas de prazer
Escorrendo em mim
E desfruto-as no feitiço das minhas palavras!
Sugo-te o fulgor da alma
Suspensa nos lábios
E beijo cada pingo de mel
Que se te afunda na pele!
Cheiro o calor da tua paixão
Queimando a minha voz
E envolvo-te no vazio da saudade!
Sucumbo à ternura inflamada...
E fujo de mim!

domingo, 1 de abril de 2007

Ausência




Abraço a doce saudade,
Do teu extasiante sol poente em mim...
Ofusco-me nas centelhas de prazer
Que as tuas ousadias lançam ao céu
E seduzo-te no planeta das emoções,
Na galáxia da minha paixão!
Estrelas reluzem e cintilam no teu toque,
A pele da minha alma suspira
Ao compasso da voz do teu amor em mim,
Qual reflexo da essência do tempo!
Copio uma fantasia
Lida nas estrelas
Que espalhaste no céu do meu desejo...
Despes-me em carícias enfeitadas de lírios brancos
Enlaçadas na luz dos teus dedos
E nascem no meu corpo
As mãos da tua alma...
Acaricias-me em conquistas mágicas
De encantamento e perdição...
Caminho ao encontro da minha ilusão
E encontro-te dentro de mim!

sexta-feira, 30 de março de 2007

Confessa


Espreito-te no longe,
Chamo-te entre as brumas do tempo...
Mas as penumbras da memória,
Perpetuada pelo deslizar dos meus dedos no papel,
Escondem-te atrás de ti!

Vem...
Mostra-te no teu sorriso,
Perfuma-me com a tua voz quente,
Fala-me do tempo do Amor
E volta a dar-me a mão!
Leva-me contigo para dentro do teu abraço
E da minha fantasia!
Confessa ao meu ouvido
Quantos beijos ofereces ao meu silêncio!
Sussurra-me o prazer do sonho
Que espreitas em mim!
Beija as minhas sensações
De pele perfumada,
Amanhecida
Na alvorada tranquila
De um livre divagar...

Diz à lua
Baixinho, baixinho...
Palavras de desejo...
Por mim!
E enfeitiça o meu sono!

quarta-feira, 28 de março de 2007

Essências


Entre os meus cabelos desalinhados
Encontro os teus dedos
Macios
Sussurrando na minha pele
Carícias esquecidas!
Dentro dos meus olhos
Encontro o murmúrio
(e o silêncio!)
Do teu rosto!
Pestanejas sorrisos que me aquecem a alma
E estendo-te os meus lábios de fogo
Numa prece de caminhos trilhados
No meu corpo
Pelo teu...
Ainda procuro a boca que me desnudou
E, entre lençóis brancos,
Desceu a colina dos meus seios
E se precipitou na foz do meu prazer...

No meu corpo vazio de ti
Ouve-se o eco dos sons
Que no silêncio do quarto nu
Entoámos em horas só nossas...
E, na solidão das minhas coxas,
Evaporam-se essências esquecidas,
Borbulhantes de loucuras a dois!

segunda-feira, 26 de março de 2007

Emoções


A manhã rende-se ao vento Sul...
Sem pudor, veste-se de negro...
Sensual, busca a Lua
Mas ela foi-se!...
O sol brilha...
Num trono de diamantes,
Ofereço o meu corpo às tuas mãos...
Centelhas de emoções
Gritam o teu nome
Mas a distância amanheceu em ti!
Perco-me nas minhas ousadias,
Perco-te nos teus êxtases
Lançados à saudade,
Abraçados a outros sonhos!
Estendo as minhas mãos
E apenas encontro fios de dor
Que caminham para o Infinito!
Tacteio a tua boca
E encontro pétalas de vento
Correndo para o Paraíso!
E a minha voz cruza os céus,
Toca-te a pele,
Sussurra ao teu ouvido
Que habito a Noite
E o Silêncio...
E nem as mãos do meu pensamento
Te conseguem afagar!

sexta-feira, 23 de março de 2007

Manto


Deixo escorrer os olhos pelo tempo...
Revivo emoções...
Inundam-me a alma em voo livre,
Evaporam-se-me na pele!
Aspiro os resíduos sólidos,
Pedaços de ti,
Devaneios colhidos numa Primavera serôdia!
Voo na tua ausência
Em crepúsculos atrasados...
Por instantes,
Devaneios estonteantes
Acariciam-me o rosto.
A brisa dos sentimentos
Lança-me no rosto
O aroma da tua presença...
Mas a corrente das sensações
Afoga o coração,
Destrói os diques do amor,
Arrasta a afronta e o despeito,
Trespassa-me a alma,
Salta a colina da paz,
E desce aos vales da dor!...

E não há fantasia,
Arrepio
Ou suspiro
Que desagúe na minha noite
Vazia de coxas perfumadas de maresia!
E o meu querer veste-se de vulnerabilidade!
Nua, perante a tua noite,
Deixo cair sobre mim
O manto vago do fim!

quinta-feira, 22 de março de 2007

Início do " Livro da saudade"


Terminou com o poema "desilusão" o conjunto de poemas a que chamei "livro do sonho". O sujeito poético, na impossibilidade de continuar a viver um verdadeiro amor que entretanto terminou, propõe-se partir para o mundo do sonho onde reviverá esse amor e essa paixão. Parte, avisa logo no início, mas não parte só, leva consigo tudo o que já sentiu. Desta forma se inicia o “conto”. O primeiro poema é precisamente “partida”. A “visão” prolongar-se-á por poemas contando essa vida imaginada. Até um dia em que o sujeito poético se dá conta que a luz se extinguiu e as lágrimas congelaram. Decide acordar do sonho e percebe, então, que a personagem principal alvo do seu sonho não é ou nunca foi aquele que sonhára. Termina o sonho. Fui publicando neste blog, um a um, os poemas mas, para quem quiser entender os poemas como conjunto, coloco-os agora com a devida sequência num blog em anexo a que chamarei "livro do sonho".


Inicio hoje um outro conjunto a que chamarei "livro da saudade".


O sujeito poético iniciará a sua viagem através da saudade, tentará explicar porque foi trocado por outra flor mais cuidada. A viagem (saudade) prosseguirá, ora mais calma, ora mais conturbada, para terminar numa pantomina de palhaço e, por fim, num dobrar de sinos. A Saudade arderá numa pira e as cinzas serão espalhadas pelas águas do oceano. Terá terminado a viagem!



No teu jardim



No meu silêncio cheio de nada
Oiço o que a tua boca cala
Mas o teu corpo grita...
Dos teus dedos pinga o mel
Que eu não colho!
E a vertigem nua,
Ceifada na minha intimidade,
Se vestiu de prazer
Em outras entranhas...
No teu jardim, a brisa corre,
Arrepia as minhas pétalas
De flor singela...
Mas só a flor repleta de néctar
Atrai o sol
E as borboletas que te nascem nos lábios
No canteiro que mais cuidas!
Ela estremecerá sob as tuas mãos
E, na suavidade do arco-íris,
Aspirarás o exotismo da sua voz...
Nas minhas pétalas selvagens
O pudor desenhou um não...
Veio o vento...
Veio a chuva,
Desfolhou-me!
No espaço do teu jardim a noite caiu,
Definitivamente!...

quarta-feira, 21 de março de 2007

Desilusão




Na fragilidade de um momento
Escrito pelo tempo sem tempo,
Abri estradas de sentimentos
Que te deixei percorrer...
Partilhámos viagens,
Segredos,
Mistérios...
A tua língua percorreu o caminho dos meus abraços,
A tua ansiedade desceu à minha fragilidade
E, arrepiados,
Excitados,
Tocámos a mesma melodia,
Saciámos a avidez dos corpos que se queriam,
Em prazeres descobertos...

Quando as tuas mãos,
Tocando a minha paixão,
Me abriam num soluço,
Eu voava
Numa leveza de sentidos decifrados!
Mas, para lá do teu peito,
Extinguiu-se a luz!
Escureci nesta minha noite fria...
O frio da desilusão assobia nas minhas entranhas...

As lágrimas gelam
E congelam-me a alma!
Já não estás aí,
Já não és,
Ou nunca foste,
Aquele que no sonho eu criei!

segunda-feira, 19 de março de 2007

Só



Entoo uma canção de amor
Em cada murmúrio...
Cada melodia saída dos meus lábios
É um convite à luxúria...
Moves-te em movimentos graves e agudos
De uma partitura que me ensinas,
Feita de toques e carícias...
O laço que a nossa música teceu em nós
Prendeu-me...
Desataste-te!
Persistiram através dos tempos,
Num céu de olfactos,
Os aromas sensuais!
Aspirei-os para além do tempo
E da saudade...
O acaso nos juntou,
Mas a voz do silêncio
Roubou-te das partículas do meu sonho
E eu fiquei só,
Relembrando apenas os momentos da partida!...

domingo, 18 de março de 2007

Pétalas desfolhadas



Sonho contigo à luz da minha saudade,
Sonho mundos que não conheces,
Invento momentos...
Apaixonada, voo na tua essência,
Fecho a janela do mundo...
Abro-te a alma,
Deixo-te ver-me!
Dos meus lábios sopro ventos favoráveis
Para que navegues à bolina no meu corpo!
Desliza pela minha pele,
Esquece a linha do horizonte
Que te diz adeus!
Segura as minhas mãos entre as tuas,
Vem, antes que o Outono
Desfolhe as minhas pétalas...
Macias e leves
Suspiram de saudade!
Vem sentir o seu perfume,
Deixa que as teus sentidos as despertem,
Toquem e excitem...
Deixa que as tuas mãos me adormeçam
No teu chão quente,
Numa Primavera por mim inventada
Em jardim de rosas perfumadas!

sexta-feira, 16 de março de 2007

Mundo mágico




No camarim da minha dor,
Revejo-me na exiguidade do teu sentir!
Ferida até ao âmago do tempo,
Desenlaço as mãos do sonho,
Do não ser,
E pago o ónus de te querer
E não ter!
Recolho-me à escuridão da paz,
À sombra insinuante da noite...
No seu abraço cúmplice,
Rio e choro sem fronteiras
Que não tracei.
Apago o tempo dos outros,
Fecho-me neste instante
De nós...
Abandono-me às tuas mãos sedentas,
Destruo as paredes do mundo,
E mergulho em ti!
Estremeces,
Em sintonia com o meu desejo,
E o teu prazer chora.
Aceso,
No lume que te queima as entranhas,
Desces sobre os meus suspiros!
E deixo as tuas mãos envolverem-me!...
Num passeio perfumado,
Deslizam,
Flutuam,
No mundo mágico da imaginação!

quinta-feira, 15 de março de 2007

Ausência



Na distância de um sonho,
Cravo o meu desejo na tua ausência!
Seguras-me o deslizar do meu corpo no teu
E travas o meu ondular de serpente em ti.
Ofereço os meus seios à brisa dos teus suspiros
E recolho a paixão na ponta dos teus dedos!
Quando chega até mim o aroma do teu desejo,
Misturo-o com o meu
E, embriagada,
Me ofereço!
Escorrego para dentro dos teus braços
E das tuas negações...
A minha pele exala perfumes desconhecidos,
Descontrolados,
Molhados,
E a minha língua lambe a distância que separa as nossas bocas!
Abro, então, as portas ao teu desejo,
Degustas-me impregnada de ti...

Espalhada por nós,
Eu decifro os teus movimentos
No emaranhado inexistente
Das nossas roupas aninhadas no chão!

quarta-feira, 14 de março de 2007

Quero-te



Pouso os lábios na curva do teu pescoço,
Aspiro-te,
Colho pedaços de ti,
Guardo-os na ponta da minha língua,
Saboreio-te de encontro ao meu palato!...
Solto um suspiro e exalo incenso!
Respira-me,
Colhe-me no hálito a paixão,
Devora-a
E perfuma-me a pele com o teu suor!
Toma-me,
Eleva-me do chão,
E sonha comigo um amor de céu!
Conserta a minha pele rasgada pela tua falta,
Costura as feridas que sangram de ausência,
Anestesia o meu ventre que dói no teu não!
Quero-te!...
Mas o sonho findou!

terça-feira, 13 de março de 2007

Deixa-me entrar


Penetro na noite através da lua nova,
Desfaleço, inquieta, de tanto sonhar...

Insinuo-me nos teus lençois
E não te encontro!
Em cansaços íntimos,
Desilusões famintas,
Evaporaste o amor que me perlava a fronte;
O coração continuou gemendo
E os olhos chorando...
Em vão!...

Trago-te para o sono desfeito,
Colho-te os lábios
E assomo à porta da tua alma.
Deixa-me entrar! – murmuro junto a ti.
Abre-se uma fresta,
Esgueiro-me por ela...
E possuo-te num frenesim de condenada!
Roubo-te a saliva, o suor e o sémen...
Quando me preparo para te assimilar a alma
Já não sei de ti!...

domingo, 11 de março de 2007

Contigo




No amanhecer dos meus olhos,
Abriu-se-me a alma…
Sem saberes,
Acordei abraçada a ti,
Renasci no caminho que pisei
E colei o meu corpo ao teu!
Sentes-me,
Lembras-te que existo em ti
Aspiras-me no teu perfume,
Recordas-te do que não fomos,
Desejas-me!
Mais do que dei um dia…

Hoje quando a tua noite
Fizer sossobrar o meu sol,
Grita ao vento que me não amas
E sente as minhas lágrimas cairem
Das nuvens do sonho,
Num amplexo final!...

sexta-feira, 9 de março de 2007

Tempo


No meu lago de águas escuras,
Quietas,
Sem vida,
Perdura à superfície lodosa
Uma ternura espelhada no infinito da eternidade!
Das minhas mãos transborda a minha alma
E o sofrimento faz-se doçura
Deslizando – me pelos dedos
Ansiosos de magias,
Loucuras,
Desatinos…

Para lá da minha pele,
Dos meus sentidos,
Da atracção inexplicável como um feitiço,
Transformo o amor em saudade…
E o meu desejo errante,
Nascido nos primórdios do tempo,
Flui na minha memória a caminho do futuro,
Futuro anulado
Porque, desde o início,
Este sonho viveu no passado!
Tento seduzir a roda do tempo,
Enganá-la…
Em vão…

O futuro e o presente confundiram-se…
Dessincronizados,
Abalaram ambos,
Numa corrida inversa,
Para o passado…

quinta-feira, 8 de março de 2007

Loucura




Cola o teu sonho ao meu,
Paira na sua leveza...

Sobre o meu aconchego
Toca-me com entoações de amor;
Entranha-te na minha pele,
Enlaça-me nos teus lábios,
Escorrega pela minha paixão...

E num céu de inexactidões
Dança comigo os ritmos da minha fome!
Completa comigo uma sinfonia,
Dirige a orquestra dos meus sentidos...

E numa sintonia de desejos
Entoa as nossas emoções,
Toca de improviso
A sequência que vou inventando,
Vem ser o maestro da minha loucura!